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Editorial: Alysson Bestene acerta ao recolocar o debate da Guarda Municipal no campo da responsabilidade

A discussão sobre a criação de uma Guarda Municipal em Rio Branco volta ao centro do debate público sob uma perspectiva diferente daquela defendida nos últimos anos pela gestão anterior. Enquanto o ex-prefeito Tião Bocalom tratava o tema como uma meta administrativa desnecessária, o atual prefeito Alysson Bestene prefere adotar uma postura mais cautelosa e responsável, condicionando a implantação da corporação à existência de planejamento, capacidade financeira e apoio institucional.

A posição do prefeito merece reconhecimento. Segurança pública é um tema sensível demais para ser tratado apenas sob a ótica do discurso político ou da boa intenção. Criar uma Guarda Municipal não significa apenas adquirir viaturas, uniformes e equipamentos. Trata-se de assumir um compromisso permanente com contratação de pessoal, treinamento, armamento, manutenção, estrutura física, tecnologia e custeio operacional. Tudo isso exige recursos contínuos que impactam diretamente o orçamento municipal por décadas. E, claro, dar resposta urgente aos indicadores de violência em meio ao centro da cidade e no seu entorno. É reforço ao policiamento ostensivo da Polícia Militar com consequências inevitavelmente promissoras.

Ao afirmar que Rio Branco não possui condições de arcar sozinha com o projeto e que a participação do governo federal seria fundamental para garantir sustentabilidade financeira, Alysson demonstra maturidade administrativa. É uma visão que prioriza a responsabilidade fiscal e evita que uma iniciativa importante nasça sem as condições necessárias para funcionar adequadamente.

Mas a cautela não significa rejeição. Pelo contrário. O prefeito deixa claro que vê com bons olhos a criação de uma Guarda Municipal, desde que ela seja resultado de planejamento de curto, médio e longo prazo. Essa é justamente a diferença entre uma proposta eleitoral e uma política pública efetiva.

As vantagens de uma Guarda Municipal estruturada são evidentes. A presença de agentes nas ruas pode ampliar a proteção de escolas, unidades de saúde, praças, parques e prédios públicos. O patrulhamento preventivo contribui para inibir ações criminosas, atos de vandalismo e depredação do patrimônio público. Além disso, a corporação pode atuar de forma integrada com as forças estaduais, reforçando a capacidade de monitoramento e resposta em áreas urbanas.

Outro benefício importante é a sensação de segurança para a população. A presença ostensiva de agentes municipais em locais de grande circulação aumenta a confiança dos cidadãos e fortalece a ocupação dos espaços públicos pelas famílias. Cidades mais seguras tendem a registrar maior movimentação econômica, mais atividades de lazer e melhor qualidade de vida.

A proteção da integridade física dos cidadãos também pode ser fortalecida por meio de ações preventivas, mediação de conflitos e apoio às operações de videomonitoramento. Em um cenário ideal, a Guarda Municipal atua como força complementar, auxiliando no enfrentamento de problemas cotidianos que nem sempre demandam a intervenção direta das polícias estaduais.

Entretanto, para que todos esses benefícios se concretizem, é indispensável que o projeto seja financeiramente viável e tecnicamente bem estruturado. Uma Guarda Municipal criada sem recursos suficientes corre o risco de se transformar em mais um problema administrativo, frustrando expectativas da população e comprometendo a qualidade dos serviços prestados.

Por isso, a postura adotada por Alysson Bestene merece ser vista como um exercício de responsabilidade. Ao invés de prometer uma solução imediata para um problema complexo, o prefeito propõe um caminho baseado em planejamento, sustentabilidade financeira e cooperação entre os entes federativos. Em tempos em que muitas decisões públicas são tomadas sob a pressão da popularidade momentânea, optar pela prudência pode ser justamente o gesto mais corajoso e mais benéfico para a segurança dos rio-branquenses.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.