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Os lanternas

Eduardo Velloso e Zezinho Barbary aparecem na lanterna da produção legislativa; Coronel Ulysses completa grupo com desempenho abaixo da média da bancada

A quantidade de dinheiro movimentada por um gabinete parlamentar não é suficiente para medir a produtividade de um deputado federal. Emendas destinadas aos municípios, embora importantes, precisam ser confrontadas com a atividade principal para a qual o parlamentar foi eleito: elaborar leis, relatar matérias, fiscalizar o governo, participar das comissões e comparecer às votações.

A reportagem de Oseringal se vale de dados oficiais, um levantamento realizado a partir dos dados publicados pela própria Câmara dos Deputados, e revela abaixo que, no último ano legislativo completo — 2025 —, Eduardo Velloso, Zezinho Barbary e Coronel Ulysses ocuparam as três últimas posições da bancada acreana quando o critério analisado é o número de propostas legislativas registradas como de autoria do parlamentar.

A fotografia oficial de 2025 é esta:

Deputado Propostas de autoria Matérias relatadas Discursos no plenário
Eduardo Velloso 79 0 8
Zezinho Barbary 82 1 6
Coronel Ulysses 149 11 31
Meire Serafim 166 23 1
Zé Adriano 183 13 4
Roberto Duarte 203 22 114
Socorro Neri 403 25 8
Antônia Lúcia 438 4 5

Os dados estão disponíveis nas páginas individuais dos parlamentares no Portal da Câmara dos Deputados.

Eduardo Velloso termina 2025 na última posição

Eduardo Velloso apresentou 79 propostas legislativas em 2025. Foi o menor resultado entre os oito representantes do Acre. Mais revelador ainda: o deputado não relatou nenhuma matéria durante o ano.

Relatar uma proposição é uma das atividades mais relevantes do trabalho parlamentar. O relator examina o conteúdo, negocia alterações, apresenta parecer e pode determinar se uma proposta avança ou morre dentro de uma comissão.

Enquanto Velloso registrou zero relatoria, Socorro Neri relatou 25 matérias; Meire Serafim, 23; Roberto Duarte, 22; Zé Adriano, 13; Coronel Ulysses, 11; Antônia Lúcia, quatro; e Zezinho Barbary, uma.

A distância entre o último colocado e os mais produtivos é considerável. Socorro Neri apresentou mais de cinco vezes o número de propostas registradas por Eduardo Velloso em 2025. Antônia Lúcia também superou em mais de cinco vezes o total do parlamentar.

A baixa produção prosseguiu em 2026. Até 23 de agosto, Velloso contabilizava somente 23 propostas e permanecia sem qualquer matéria relatada. No mesmo período, acumulava 56 dias de presença no plenário, três ausências justificadas e seis não justificadas. Nas comissões, eram 12 presenças e sete faltas não justificadas. Os números podem ser conferidos no perfil oficial de Eduardo Velloso.

Isso não significa que o deputado tenha permanecido completamente inativo. Velloso participou de votações, apresentou proposições e destinou emendas. Entretanto, dentro dos indicadores legislativos fornecidos pela própria Câmara, seu desempenho recente o coloca na parte mais baixa da bancada acreana.

Zezinho Barbary: poucas propostas e quase nenhuma relatoria

Zezinho Barbary aparece imediatamente acima de Eduardo Velloso. Em 2025, apresentou 82 propostas, apenas três a mais que o último colocado, e relatou somente uma matéria.

A produção foi muito inferior à dos líderes da bancada. Antônia Lúcia apresentou mais de cinco vezes o total de Zezinho. Socorro Neri chegou perto da mesma proporção.

O problema não está apenas na quantidade. A atuação como relator também foi reduzida. Em três anos completos de mandato, os registros da Câmara mostram:

  • Duas matérias relatadas em 2023;
  • Três em 2024;
  • Uma em 2025;
  • Duas em 2026, até 23 de agosto.

O parlamentar apresentou 254 proposições em 2023, mas caiu para 49 em 2024. Houve recuperação parcial em 2025, com 82, seguida de nova queda em 2026: apenas 12 proposições até 23 de agosto.

Os registros oficiais indicam ainda apenas um discurso no plenário em 2026. Em 2025, foram seis; em 2024, dois; e, em 2023, três. Os dados estão reunidos no perfil de Zezinho Barbary na Câmara.

Zezinho mantém boa frequência nas sessões plenárias. Em 2025, teve 116 dias de presença, cinco ausências justificadas e nenhuma falta sem justificativa. Em 2026, até a data consultada, eram 65 presenças e nenhuma ausência. Portanto, o problema revelado pelos números não é falta ao plenário, mas a baixa transformação dessa presença em protagonismo legislativo.

Coronel Ulysses fica em terceiro entre os menos produtivos, mas compensa com relatorias

Coronel Ulysses apresentou 149 propostas em 2025. Embora tenha ficado na terceira menor posição da bancada, seu desempenho precisa ser analisado com uma diferença importante: relatou 11 matérias e fez 31 discursos no plenário.

Esses indicadores demonstram uma atuação superior à de Eduardo Velloso e Zezinho Barbary em áreas relevantes do trabalho parlamentar. Ulysses também ocupou cargos na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, chegando à primeira vice-presidência do colegiado.

A frequência nas comissões, porém, chama atenção negativamente. Em 2025, o deputado registrou 52 presenças, 21 ausências justificadas e 40 faltas não justificadas em reuniões de comissões. No plenário, a situação foi melhor: 120 dias de presença e apenas uma ausência sem justificativa. As informações estão no perfil oficial de Coronel Ulysses.

Em 2026, Ulysses apresentou 29 proposições e relatou duas matérias até 23 de agosto. Fez 15 discursos, compareceu a 65 dias de sessões plenárias e não registrou faltas no plenário. Nas comissões, contudo, apareciam 26 ausências não justificadas para 27 presenças.

Portanto, Ulysses integra o grupo de menor produção numérica, mas não pode ser colocado exatamente no mesmo patamar de Velloso e Barbary. A atuação como relator, os pronunciamentos e os cargos exercidos em comissão reduzem a distância em relação aos parlamentares do meio da tabela.

Quantidade, sozinha, também pode enganar

Os dados precisam ser tratados com responsabilidade. O número denominado pela Câmara como “propostas legislativas de autoria” não corresponde exclusivamente a projetos de lei. A contagem pode incluir requerimentos, indicações, emendas, pedidos de informação, recursos e proposições apresentadas em coautoria.

Consequentemente, 400 proposições não significam 400 projetos de lei, muito menos 400 leis aprovadas. Um parlamentar pode apresentar centenas de requerimentos padronizados e ainda assim não conseguir transformar um único projeto relevante em norma jurídica.

Da mesma maneira, um deputado com menor quantidade de proposições pode ter participado de negociações importantes, relatado uma matéria complexa ou concentrado sua atuação na liberação de recursos para o estado.

Ainda assim, quando os parlamentares são comparados pelo mesmo critério e durante o mesmo período, a diferença tem significado político. Eduardo Velloso apresentar 79 proposições e nenhuma relatoria, enquanto Socorro Neri apresenta 403 e relata 25 matérias, não é uma diferença marginal. É uma distância expressiva no exercício das funções legislativas.

Ranking externo já apontava fragilidades

O levantamento do site independente Ranking dos Políticos, divulgado em agosto de 2024, utilizou critérios diferentes — votações, combate a privilégios, gastos e outros indicadores — e apresentou esta classificação da bancada acreana naquele momento:

  1. Coronel Ulysses;
  2. Gerlen Diniz;
  3. Eduardo Velloso;
  4. Roberto Duarte;
  5. Socorro Neri;
  6. Zezinho Barbary;
  7. Antônia Lúcia;
  8. Meire Serafim.

A comparação mostra que não existe um único conceito de produtividade. O Ranking dos Políticos atribui pontuação de acordo com posições em votações, gastos, processos e critérios definidos por seu conselho. Já os números da Câmara mostram volume de atividade legislativa, presença, discursos e relatorias.

Por isso, é possível que um deputado esteja bem colocado em um ranking ideológico ou fiscal e, ao mesmo tempo, apresente poucas proposições. Também pode ocorrer o contrário: um parlamentar produz muitas proposições, mas recebe nota baixa por seus votos ou despesas.

A lanterna recente tem nomes definidos

Considerando o último ano completo da legislatura e os primeiros oito meses de 2026, os dados oficiais deixam uma conclusão difícil de contestar: Eduardo Velloso e Zezinho Barbary formam a dupla com menor produção legislativa recente entre os oito deputados federais do Acre.

Velloso terminou 2025 com o menor número de propostas e nenhuma relatoria. Zezinho ficou somente três proposições à frente e relatou apenas uma matéria. Em 2026, Barbary apresentou apenas 12 proposições, enquanto Velloso registrou 23.

Coronel Ulysses aparece na terceira menor posição pelo volume de propostas, mas apresenta atuação mais consistente em relatorias, discursos e posições ocupadas na Comissão de Segurança Pública. Seu ponto frágil são as numerosas ausências não justificadas em reuniões de comissões.

A proximidade das eleições torna essa prestação de contas ainda mais necessária. Não basta publicar fotografias de agendas, anunciar emendas que todos os integrantes da bancada têm direito de indicar ou aparecer nos municípios apenas quando o calendário eleitoral aperta.

O eleitor acreano tem o direito de perguntar o que cada representante efetivamente produziu, quantos projetos relevantes conseguiu aprovar, quais matérias relatou, quantas reuniões deixou de acompanhar e que resultados concretos entregou durante quase quatro anos de mandato.

Pelos números mais recentes da própria Câmara, Eduardo Velloso e Zezinho Barbary terão as explicações mais difíceis a apresentar

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REDAÇÃO

Autor da publicação.