Pular para o conteúdo

ELEIÇÕES 2026: Acre tem um dos menores índices de candidatos com ensino superior da Região Norte

A disputa eleitoral de 2026 revela não apenas quem pretende ocupar os principais cargos públicos do país. Os dados apresentados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral também permitem traçar um retrato do nível de escolaridade daqueles que querem representar a população.

E, quando o Acre é colocado lado a lado com os demais estados da Região Norte, surge um dado interessante: o Estado aparece entre aqueles com menor proporção de candidatos que chegaram ao ensino superior.

Dados disponíveis na base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o Acre possui atualmente 387 candidaturas registradas. Quando a escolaridade é agrupada por níveis, aproximadamente 64% dos candidatos acreanos estão na faixa do ensino superior, considerando graduação completa ou incompleta.

Outros 27% estão no grupo do ensino médio e aproximadamente 10% aparecem com ensino fundamental ou escolaridade inferior.

O resultado coloca o Acre abaixo de vários vizinhos amazônicos.

Amapá lidera

O Amapá apresenta o percentual mais elevado encontrado no levantamento. Aproximadamente 80% dos candidatos amapaenses chegaram ao ensino superior.

É uma diferença expressiva em relação ao Acre: cerca de 16 pontos percentuais.

No Amazonas, aproximadamente 70% das candidaturas estão no grupo de ensino superior. O Estado aparece, portanto, cerca de seis pontos acima do Acre.

Rondônia também supera o Acre. Em levantamento baseado nos registros do TSE, 246 candidatos rondonienses declararam superior completo e outros 50, superior incompleto. Somados, eram 296 de 427 registros analisados, aproximadamente 69,3%.

No Tocantins, o cenário é semelhante. Dados da Justiça Eleitoral apontavam 57,2% dos candidatos com superior completo e outros 12,92% com superior incompleto. Isso significa que aproximadamente sete em cada dez candidatos tocantinenses chegaram à universidade.

O Pará fica praticamente empatado com o Acre. Levantamento sobre 713 candidaturas paraenses encontrou 401 pessoas com superior completo e 56 com superior incompleto. Somadas, são 457, equivalentes a 64,1%.

Acre fica perto da parte de baixo do ranking

O comparativo revela que, proporcionalmente, o Acre está atrás de Amapá, Amazonas, Tocantins e Rondônia na presença de candidatos que chegaram ao ensino superior e praticamente empatado com o Pará.

O dado não significa, evidentemente, que escolaridade seja requisito para capacidade política ou administrativa. A Constituição e a legislação eleitoral não exigem diploma universitário para a maioria dos cargos eletivos.

Mas o levantamento ajuda a mostrar o perfil de quem se apresenta ao eleitor para administrar o Estado ou representá-lo nas assembleias e no Congresso Nacional.

Dentro do Acre

Em levantamento anterior, quando a base acreana possuía 384 registros, a divisão detalhada mostrava:

212 candidatos — superior completo
32 — superior incompleto
87 — ensino médio completo
16 — ensino médio incompleto
15 — ensino fundamental completo
19 — ensino fundamental incompleto
3 — apenas leem e escrevem

Ou seja, naquele recorte, 244 candidatos haviam chegado ao ensino superior.

O número absoluto é significativo, mas proporcionalmente não coloca o Acre na liderança regional.

Comparação da Região Norte

Considerando superior completo e incompleto conjuntamente, o quadro encontrado nos levantamentos disponíveis é aproximadamente este:

Amapá — 80%
Amazonas — 70%
Tocantins — 70%
Rondônia — 69%
Acre — 64%
Pará — 64%

Roraima também integra a Região Norte, mas os dados detalhados encontrados nesta consulta não permitem fechar com a mesma segurança o percentual estadual agrupado e atualizado utilizado nos demais estados. Por isso, é mais correto não atribuir uma posição a Roraima até a consolidação da base individual das candidaturas.

Amapá chama atenção

A distância entre Acre e Amapá é o ponto mais marcante.

Enquanto aproximadamente oito em cada dez candidatos amapaenses chegaram ao ensino superior, no Acre são pouco mais de seis em cada dez.

Na outra ponta da escolaridade, cerca de 10% das candidaturas acreanas aparecem agrupadas no ensino fundamental ou abaixo dele no painel comparativo, contra apenas cerca de 2% no Amapá e 5% no Amazonas.

Isso coloca o Acre com participação proporcionalmente maior de candidatos de escolaridade mais baixa entre os estados para os quais foi possível obter comparação atualizada.

Escolaridade não define competência

Os números, porém, precisam ser interpretados com cautela.

Ter diploma universitário não representa automaticamente preparo para exercer um mandato, assim como não possuir graduação não significa incapacidade política.

A própria história política brasileira reúne representantes populares de diferentes níveis de formação.

O que os números do TSE permitem é outra leitura: identificar de quais estratos educacionais estão saindo aqueles que disputam o poder político.

E, nesse retrato das Eleições 2026, o Acre apresenta uma característica clara: embora a maioria dos candidatos tenha chegado ao ensino superior, essa participação é menor do que a observada em boa parte dos demais estados da Região Norte.

Fonte: dados declarados pelos candidatos à Justiça Eleitoral/TSE. Os números podem sofrer alterações em razão de novos registros, renúncias, substituições e decisões sobre candidaturas.

R

REDAÇÃO

Autor da publicação.