Uma grave denúncia de possível corrupção eleitoral chegou à redação de O Seringal na noite deste sábado e repercute até o momento. Dezenas de eleitores acusam a candidata a deputada federal Vanda Milani de suposta compra de votos e afirmam que teriam participado de reuniões nas quais teria sido prometido o pagamento de R$ 100 por voto.
As acusações são sustentadas por áudios, prints de conversas e uma lista contendo nomes de eleitores, números de zonas e seções eleitorais e respectivos locais de votação. O Seringal teve acesso a parte desse material. As denúncias precisam ser apuradas pelas autoridades competentes e, por si sós, ainda não comprovam a prática de crime eleitoral nem a participação da candidata.
Os eleitores apontam um homem identificado como Samoel, que seria filho de Vanda Milani, como responsável por organizar e intermediar o grupo. Segundo os relatos encaminhados ao portal, ele teria participado da montagem de uma relação com dados eleitorais das pessoas supostamente arregimentadas.
Os denunciantes afirmam que foram chamados para reuniões e que, nesses encontros, teria ficado acertado o pagamento de R$ 100 pelo voto. Ainda segundo os relatos, o dinheiro prometido não corresponderia a eventual trabalho de campanha nas ruas como cabo eleitoral.
Alguns afirmam também que, após o suposto acerto, convidaram amigos e parentes para participar do grupo, sob a expectativa de que essas pessoas igualmente receberiam o valor prometido. Cerca de três intermediários são cobrados, e tentam se justificar afirmando que “o dinheiro não chegou”.
A revolta teria começado quando o pagamento não aconteceu. As cobranças, conforme os relatos enviados à reportagem, começaram na quinta-feira e prosseguiram até a noite de sábado. O grupo reuniria aproximadamente 126 pessoas, em alguns bairros de Rio Branco. Eles criaram grupos na plataforma de Whatsapp.
Ainda segundo os denunciantes, posteriormente teria circulado a informação de que Samoel não utilizaria telefone celular próprio e que, para fazer contatos e reunir o grupo, teria usado o aparelho de um amigo.
O Seringal tentou contato pelo número atribuído pelos denunciantes a esse amigo, apontado como o único telefone disponibilizado ao grupo. Até o fechamento desta nota, as mensagens não haviam sido entregues e não houve resposta.
A reportagem também busca manifestação de Vanda Milani e de Samoel sobre as acusações. O espaço permanece aberto para que apresentem suas versões, esclarecimentos e documentos que considerem necessários.
A denúncia é especialmente grave porque a legislação eleitoral criminaliza a prática de dar, oferecer ou prometer dinheiro, dádiva ou qualquer vantagem pessoal ao eleitor com a finalidade de obter voto. A eventual responsabilização, contudo, depende de investigação, produção de provas e atuação das autoridades competentes.
Os áudios, prints, listas e demais elementos recebidos pela reportagem poderão servir de ponto de partida para eventual apuração oficial. Caberá às autoridades eleitorais verificar a autenticidade do material, identificar seus autores e participantes e esclarecer se houve efetivamente promessa ou pagamento em troca de votos e quem, eventualmente, teria responsabilidade pelos fatos.

