A diversidade religiosa brasileira encontra espaço na agenda institucional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da governadora do Acre, Mailza Assis (PP). Oseringal registra esses momentos, muito embora ambos tenham trajetórias políticas e bases de relacionamento distintas. Os dois gestores protagonizaram gestos públicos de reconhecimento a comunidades religiosas que ultrapassam os limites de uma única denominação. E afastam diferenças ideológicas em nome de iniciativas em comum: políticas humanitárias.
Neste 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, Lula participou de uma missa na capela do Palácio da Alvorada, acompanhado da primeira-dama Janja. A celebração reforçou a presença da tradição católica na agenda presidencial. Em 2024, Lula também participou da procissão do Círio de Nazaré, em Belém, e, em outubro de 2025, encontrou-se com o papa Leão XIV, no Vaticano.
O diálogo não se limita ao catolicismo. Lula recebeu representantes evangélicos no Palácio da Alvorada, em setembro de 2025, reuniu-se com lideranças da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em fevereiro de 2026, e voltou a receber pastores brasileiros e norte-americanos no Planalto, em setembro deste ano. O presidente também tem defendido publicamente o respeito às religiões de matriz africana e às pessoas sem religião.
No Acre, Mailza Assis apresenta exemplos semelhantes de aproximação com diferentes comunidades de fé. Apesar de sua forte inserção no segmento evangélico, a governadora participou, neste domingo, 11, do Círio de Nazaré, em Rio Branco, ao lado do prefeito Alysson Bestene. Na ocasião, destacou o significado da celebração católica e reconheceu o trabalho dos organizadores.
Outro gesto de grande significado ocorreu em outubro de 2025, quando Mailza, então governadora em exercício, participou da entrega das obras de revitalização do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal (CICLU) – Alto Santo, berço da doutrina do Daime e um dos mais importantes patrimônios religiosos e culturais da Amazônia.

A solenidade reuniu Mailza, a presidente do Deracre, Sula Ximenes, Perpétua Almeida e a madrinha Peregrina Gomes Serra, representante de uma tradição espiritual profundamente ligada à história acreana.
“Quem governa deve respeitar todas as religiões, bem como a quem não professa nenhuma religião”, registra o jornalista Altino Machado, nesta segunda-feira (reveja aqui)
A presença de Mailza na comunidade daimista, assim como sua participação nas celebrações católicas, ganha significado político justamente por ocorrer fora do ambiente evangélico com o qual mantém forte identificação – e demonstram atenção a tradições que fazem parte da formação histórica e cultural do estado.
Os episódios permitem uma leitura sobre a relação entre Estado e religião: o reconhecimento institucional de diferentes manifestações de fé não exige que um governante compartilhe pessoalmente todas essas crenças.
No caso de Lula, o diálogo com católicos, evangélicos e outras comunidades integra uma agenda nacional de pluralidade religiosa, sem preconceito, como deve ser a postura de um estadista.
Em um país constitucionalmente laico, essa aproximação também impõe uma responsabilidade: garantir que a liberdade de crença, o respeito às diferenças e o acesso às políticas públicas sejam assegurados a todos, independentemente da religião professada.


