Uma declaração de João Paulo Bittar, candidato derrotado a deputado federal pelo Acre e filho do senador reeleito Márcio Bittar (PL), coloca em discussão o respeito à comunidade universitária e a responsabilidade de figuras públicas por suas manifestações.
Em vídeo, João Paulo afirma que o pessoal da Universidade Federal do Acre (Ufac) é “tudo um bando de vagabundo”. Na sequência, JP é abraçado pelo pai, numa clara sinalização de apoio do senador, e exibe a inscrição na camiseta: “estrativismo é meu o…”.
A fala representa uma generalização ofensiva contra uma instituição formada por milhares de estudantes, professores, pesquisadores e servidores que desempenham funções essenciais na formação profissional e na produção científica do estado.
Criticar universidades públicas, questionar suas administrações ou discordar das posições políticas de integrantes da comunidade acadêmica é um direito legítimo. Transformar essa discordância em insulto coletivo, porém, não contribui para o debate público.
A Ufac tem papel histórico na formação de médicos, professores, advogados, engenheiros e profissionais de diversas áreas. Seus projetos de ensino, pesquisa e extensão alcançam comunidades urbanas, rurais, indígenas e populações que dependem do conhecimento produzido pela instituição.
A controvérsia também ganha dimensão política por envolver o filho de um senador da República, ligado ao campo bolsonarista. A responsabilidade pelas palavras é individual, mas o episódio oferece oportunidade para discutir a relação entre radicalização do discurso político, intolerância às divergências e respeito às instituições de ensino.
Liberdade de expressão não significa imunidade à crítica nem afasta, em determinadas circunstâncias, a responsabilidade jurídica por manifestações ofensivas. Ao mesmo tempo, a existência de eventual ilícito depende da análise concreta das palavras, do contexto e das garantias constitucionais envolvidas.
O episódio exige esclarecimentos de João Paulo Bittar sobre o alcance e a intenção de sua declaração.

