Após mais de quatro anos de espera, avançou para julgamento pelo Tribunal do Júri de Santa Catarina o processo que apura a morte do empresário acreano Maurício Lisboa, de 72 anos, proprietário do tradicional Hotel Imperador Galvez, de Rio Branco. O julgamento está marcado para esta terça-feira, 23.
O caso ganhou repercussão nacional pela violência do acidente e pelas circunstâncias em que ocorreu, na Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, uma das vias mais movimentadas da capital catarinense.

Segundo a Polícia Militar, três veículos disputavam velocidade quando o Honda Civic conduzido por Gladson atingiu violentamente a traseira do Honda HR-V dirigido por Maurício Lisboa. O empresário estava acompanhado da esposa e havia parado no semáforo quando foi surpreendido pela colisão. O impacto foi tão forte que provocou a morte imediata da vítima.
Imagens registradas pelas câmeras de monitoramento da Guarda Municipal de Florianópolis mostram o momento exato da batida. Os vídeos se tornaram uma das principais provas do processo ao evidenciar a alta velocidade dos veículos envolvidos.
Logo após o acidente, Gladson Hoffmann foi preso em flagrante. Embora os exames periciais não tenham apontado embriaguez, as investigações concluíram que ele trafegava muito acima do limite permitido para a via, reforçando a tese de condução extremamente perigosa.
Para a acusação, o caso extrapola um simples acidente de trânsito. O Ministério Público sustenta que a participação em uma disputa automobilística ilegal em área urbana demonstra total desprezo pela vida humana, circunstância que justificou o enquadramento em crime doloso contra a vida e a submissão do caso ao Tribunal do Júri.
A morte de Maurício Lisboa causou grande comoção no Acre. Empresário conhecido no setor hoteleiro, ele esteve à frente do antigo Hotel Imperador Galvez, empreendimento que durante décadas foi uma referência na capital acreana e recebeu autoridades, empresários e visitantes de diversas regiões do país. Mudou de domicílio após ser condenado em 2011 a mais de 14 anos por favorecimento à prostituição e atentado violento ao pudor. Em junho de 2016, ele teve o pedido de prisão domiciliar aceito pela Justiça

