O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou à campanha uma promessa de forte apelo popular: oferecer gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade que tenham indicação médica. O governo afirma que a oferta dependerá de estudos e da definição de um protocolo clínico. Ainda não há data anunciada para o início da distribuição.
A proposta põe o custo dos medicamentos no centro da disputa política. Para quem depende da rede pública, a possibilidade de receber um tratamento hoje difícil de pagar representa uma mudança concreta — desde que a promessa saia do palanque, tenha critérios claros e chegue às unidades de saúde.
O mesmo compromisso com o acesso deve valer para o combate ao câncer. O SUS já oferece tratamento oncológico gratuito; portanto, apresentá-lo como uma novidade seria incorreto. A cobrança ao governo é outra: garantir que o paciente consiga diagnóstico, consulta especializada e início do tratamento em tempo oportuno, sem ficar preso a uma fila enquanto a doença avança. O acesso universal e gratuito aos serviços de saúde integra a estrutura do SUS.
Politicamente, Lula procura associar sua candidatura à expansão de tratamentos que pesam no orçamento das famílias. A proposta das canetas pode ganhar apoio, mas também abre uma pergunta inevitável: quem terá direito, quando receberá o medicamento e como a oferta será financiada? Até que essas respostas sejam dadas, trata-se de uma promessa. Para os pacientes com câncer, a medida do sucesso é ainda mais urgente: fazer funcionar, na prática, o direito ao atendimento que já existe.

