A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) abriu inquérito para investigar a execução de Roney de Oliveira Gondim, de 51 anos, encontrado morto a tiros dentro da própria casa, no Ramal do Brás, região do Belo Jardim 2, em Rio Branco. O crime, pela forma como foi praticado, levanta a suspeita de um possível acerto de contas, mas a polícia ainda trabalha para esclarecer a motivação e identificar os autores.
Monitorado por tornozeleira eletrônica, Roney estava sozinho em casa quando teria sido surpreendido por criminosos. A suspeita é de que pelo menos dois homens tenham invadido a residência. A vítima foi atingida por pelo menos cinco disparos, efetuados a curta distância. A maioria dos tiros atingiu a região da cabeça e da nuca, circunstância que reforça, para os investigadores, a hipótese de execução.
O crime pode ter ocorrido na noite de sábado (15). O corpo, porém, só foi localizado na tarde de domingo (16), quando familiares foram até a residência. A família, abalada, preferiu não comentar o caso.
Após a perícia, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Equipes do Pronto Emprego da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) realizaram buscas na região em tentativa de localizar pistas capazes de levar aos responsáveis pelo assassinato.
Vítima já havia sofrido atentado
O histórico recente de Roney é um dos pontos que devem ser examinados pela DHPP. No dia 26 do mês passado, ele havia sido vítima de uma tentativa de homicídio na região do bairro Seis de Agosto. Na ocasião, foi atingido por uma facada e precisou ser socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
No próprio sábado em que acabou assassinado, Roney chegou a ser atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Segundo as informações apuradas, ele deixou a unidade por volta das 16h, sem receber alta médica, e retornou para casa.
A sequência de episódios — uma tentativa de homicídio, o monitoramento eletrônico e, posteriormente, uma execução dentro da própria residência — deverá fazer parte da linha de investigação adotada pela polícia.
Roney era alvo da Operação Rota do Fim
Outro elemento que adiciona uma camada de mistério ao caso é a ligação de Roney com a Operação Rota do Fim, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Acre, em 27 de maio deste ano.
Quatro dias antes de se tornar réu, Roney e outras pessoas foram denunciados no âmbito da investigação que apura a atuação de uma organização criminosa envolvida, segundo as autoridades, com tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
A operação teve como ponto de partida uma apreensão de 469 quilos de cocaína e 160 gramas de maconha, realizada em 2022, em Poconé (MT). A partir desse flagrante, os investigadores identificaram uma organização criminosa baseada no Acre e com suposta ligação com uma organização criminosa do Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Federal, o grupo teria se infiltrado na cadeia produtiva da pecuária bovina para ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas. Empresas ligadas ao fornecimento de insumos, processamento, distribuição e comercialização de produtos bovinos, além de leilões de gado, aparecem no escopo da investigação.
A apuração apontou ainda uma movimentação de aproximadamente R$ 200 milhões em recursos de origem ilegal, misturados a valores considerados lícitos no setor da carne bovina.
Na operação, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão no Acre, Rondônia, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Mato Grosso. A Justiça também determinou o bloqueio de imóveis, veículos, valores e rebanhos ligados aos investigados.
A grande pergunta
É justamente essa conexão que deverá ser cuidadosamente analisada pela DHPP: a execução de Roney tem relação com os fatos investigados na Operação Rota do Fim ou foi motivada por outro episódio de sua vida criminal?
Por enquanto, não há confirmação oficial de que o assassinato esteja relacionado à operação. A hipótese precisa ser investigada e confrontada com outras linhas possíveis.
O fato de Roney ter sido atacado anteriormente, estar sob monitoramento eletrônico e ter sido denunciado em uma investigação de grande porte torna o assassinato ainda mais complexo. A maneira como o crime foi cometido — dentro de casa, a curta distância e com tiros concentrados na cabeça e na nuca — indica uma ação direcionada.
O inquérito foi instaurado na manhã desta segunda-feira (17), e a DHPP deverá buscar respostas para as principais perguntas: quem ordenou a execução, quem entrou na casa, como os criminosos chegaram até a vítima e, principalmente, qual foi a motivação para matar Roney.
A investigação agora tenta separar coincidências de conexões e descobrir se a morte representa apenas mais um episódio da violência criminal em Rio Branco ou se há, por trás da execução, um capítulo ainda não revelado de uma trama envolvendo tráfico, organizações criminosas e dinheiro ilícito.

