A governadora reeleita Mailza Assis (PP) colocou o enfrentamento ao feminicídio entre as prioridades de sua administração e abriu uma nova frente de expectativas para o governo que terá início em janeiro de 2027. A declaração de tolerância zero à violência contra mulheres, feita após o assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, em Brasiléia, representa um compromisso público diante de uma realidade alarmante: o Acre registrou, em 2025, a maior taxa de feminicídios do Brasil.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado contabilizou 3,2 feminicídios por 100 mil mulheres, além de 54 tentativas registradas naquele ano. São números que evidenciam a dimensão do problema e a urgência de políticas capazes de impedir que ameaças e agressões evoluam para assassinatos.
Na noite de terça-feira (3), Mailza reuniu a cúpula da Segurança Pública e cobrou uma atuação integrada das instituições. O encontro resultou na apresentação de um esboço do Plano Estadual de Gestão Integrada de Enfrentamento ao Feminicídio, envolvendo 22 instituições, seis eixos de atuação e cinco comitês regionais.
Entre as metas estão a expansão da Patrulha Maria da Penha para os 22 municípios acreanos, a identificação antecipada de situações de risco e a integração dos serviços de segurança, saúde, educação, assistência social e Justiça.
A governadora foi enfática:
“Não podemos aceitar que mulheres continuem sendo vítimas. No nosso governo, o enfrentamento ao feminicídio será tratado com tolerância zero. Estamos reunindo todas as instituições para fortalecer a prevenção, ampliar a proteção e garantir que os responsáveis por esses crimes sejam rigorosamente investigados e responsabilizados.”
A declaração ganha significado político especial por partir de uma mulher que comandará o Acre pelos próximos quatro anos. Mas também amplia a responsabilidade de sua administração diante das famílias que convivem com o medo e das vítimas que recorrem ao Estado em busca de proteção.
O desafio de Mailza, portanto, não será apenas investigar feminicídios. Será impedir que eles aconteçam.
O assassinato de Elyne expôs questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos de proteção. A médica possuía medida protetiva e havia denunciado ameaças. Segundo informações apresentadas pela Segurança Pública, ela acionou o botão do pânico antes de ser assassinada. O caso exige esclarecimentos sobre os protocolos de atendimento, o monitoramento de agressores e a capacidade de resposta das instituições.
Para o novo governo, que começa em janeiro, a expectativa é de que o plano anunciado deixe de ser apenas uma proposta e se transforme em política permanente, com recursos, metas mensuráveis, equipes preparadas e presença efetiva nos municípios mais distantes.
Há também uma dimensão humana que não pode ser ignorada. Mulheres ameaçadas precisam confiar que uma denúncia produzirá proteção real. Medidas protetivas, tornozeleiras eletrônicas e botões de emergência precisam funcionar como instrumentos de prevenção, e não apenas como registros de providências adotadas antes de uma tragédia.
A cobrança sobre Mailza será proporcional à firmeza de suas declarações. A sociedade terá condições de avaliar os resultados por indicadores objetivos: redução dos feminicídios, rapidez no atendimento às vítimas, cumprimento das medidas protetivas e capacidade de antecipar riscos.
O Acre não precisa apenas deixar o topo de um ranking vergonhoso. Precisa fazer com que suas mulheres tenham o direito de viver sem medo.
A partir de 2027, a expectativa criada pelas palavras da governadora encontrará seu principal teste na execução das políticas anunciadas. O compromisso de tolerância zero terá de ser demonstrado na prevenção, na proteção e na responsabilização dos criminosos.
Porque, no enfrentamento ao feminicídio, a resposta mais importante de um governo não está na quantidade de reuniões realizadas depois de uma morte, mas nas vidas que suas políticas conseguem preservar antes que a violência se torne irreversível.

