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O telhado de vidro de Michele Miranda, a tesoureira que virou ré por corrupção eleitoral ataca governadora do Acre pra desviar o foco

A política acreana testemunhou recentemente um episódio que ultrapassa os limites do debate institucional e adentra o terreno da incoerência moral e da conveniência eleitoral. Após o juiz eleitoral Luciano Oliveira de Melo determinar a retirada imediata, em 24 horas, de outdoors irregulares do senador Alan Rick (Republicanos) instalados em Rio Branco, a reação do núcleo familiar do parlamentar não foi o recolhimento ou o respeito à legalidade jurídica. Foi o ataque. A reação covarde, desnecessária, inoportuna de Michelle foi apressada após a juíza Lillian Deise determinar a remoção de painéis digitais, contendo outra gama de propagando irregular do senador, nos espaços do Araújo Mix, Atacado Rio Branco.

Michele Miranda, anônima no cenário político social, esposa do senador, rompeu mais de três décadas de absoluto sumiço da vida pública, supostamente orientado pelo marido,  para surgir nas redes sociais como uma ruidosa fiscal da propaganda alheia. O alvo escolhido foi a legalidade de peças publicitárias patrocinadas pelo movimento PP Mulher, que estampavam a imagem da governadora Mailza Assis. Michelle expressa ignorância sem compreender que o movimento de mulheres progressistas organizou evento festivo para anunciar apoio à governadora. Isto é uma coisa. Outra coisa é a promoção pessoal de Alan, em peças pagas por ele próprio, com dinheiro do contribuinte.

Governadora agora é juiz?

Trata-se de uma investida intempestiva e nitidamente encorajada pelos bastidores de um mandato que, ironicamente, ergue a bandeira de “defensor da família”, mas que recorre a expedientes lamentáveis quando confrontado com a fiscalização da lei.

A tentativa de Michele Miranda de atacar a honra e a legitimidade de Mailza Assis carece inteiramente de autoridade moral e soa como uma atitude desmedida e traiçoeira. O ataque direto a uma liderança feminina que alcançou o cargo máximo do Executivo estadual por mérito, trabalho e histórico partidário demonstra que o discurso de valorização das mulheres perde espaço sempre que os interesses do grupo político do senador são contrariados pela Justiça Eleitoral.

O que causa maior estranheza nessa súbita militância moralista de Michele, contudo, não é apenas o oportunismo do momento, mas o gigantesco telhado de vidro que ela e o marido carregam sobre as cabeças (relembre nos links abaixo).

Outra narrativa apelativa vem sendo alimentada por apoiadores do senador e por setores conservadores no Acre, segundo a qual, frequentemente, tentam colar a imagem da governadora à esquerda para polarizar a disputa ao governo, associando-a à antiga base política do PT que governou o estado.
Mailza é de centro-direita. Já Alan Rick iniciou sua carreira política em 2014 pelo PRB (atual Republicanos), quando integrou oficialmente a base de apoio do governador Tião Viana numa aliança consolidada na convenção da Frente Popular do Acre.  A legenda pertencia ao então deputado federal Manuel Marcos e a deputada estadual Doutora Juliana, que tiveram seus mandatos cassados por corrupção eleitoral e desvio de recursos públicos investigados na Operação Santinhos.

O peso da Ação Penal e a falácia do discurso ético

Faltou à recém-chegada debatedora pública Michele Miranda lembrar que ela própria e o senador figuram no rol de réus em uma grave ação penal conduzida no âmbito da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral.  A investigação apura o uso criminoso de uma candidata laranja na época em que Michele Miranda atuava como tesoureira do DEM, cujo presidente era, justamente, seu marido, Alan Rick.

O Contraste da Realidade: Enquanto tenta apontar supostas irregularidades em publicações institucionais e partidárias legítimas da governadora, a ex-tesoureira ignora o peso de responder judicialmente por um esquema fraudulento que visa burlar as cotas e o financiamento de mulheres na política.

Apontar o dedo para a imagem de Mailza Assis enquanto se responde a uma ação criminal por fraude eleitoral é mais do que uma falha moral; é uma tentativa deliberada de desviar a atenção pública dos próprios escândalos judiciais. O eleitorado acreano assiste a essa manobra com ceticismo. O discurso em defesa da família e da moralidade pública não se sustenta quando, na prática, as ações penais contam uma história de burla às regras democráticas e os ataques pessoais substituem as propostas sérias para o Acre.

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REDAÇÃO

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