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A onça bebendo água

Preparem os nervos: a semana da verdade e as quatro pesquisas em 72 horas que prometem sacudir eleições no Acre

Veritá, AtlasIntel, Travessia e Phoenix entram em cena entre quinta-feira e domingo. Depois de levantamentos com diferenças importantes, chegou a hora de descobrir se Mailza e Alan estão realmente colados — e quem está vendendo esperança onde talvez não exista voto

Preparem os nervos, os grupos de WhatsApp, os marqueteiros, os coordenadores de campanha e, principalmente, as calculadoras.

O Acre entra na semana da verdade das pesquisas eleitorais.

Entre quinta-feira (3) e domingo (6), quatro institutos deverão apresentar novos números sobre as disputas pelo Governo e pelo Senado. Todos já registraram as sondagens no TRE e estão em campo.

A Veritá abre a sequência; AtlasIntel vem logo depois; e Travessia e Phoenix fecham a maratona no domingo.

São quatro pesquisas em apenas 72 horas.

Nunca foi tão importante comparar.

Porque, depois da salada de números servida ao eleitor acreano nas últimas semanas, já não basta comemorar uma pesquisa isolada, fazer card colorido, soltar foguete nas redes sociais e declarar que a eleição está ganha.

Agora haverá material para confronto.

E muito.

Mailza ou Alan: quem está realmente na frente?

Essa é a pergunta de milhares – ou milhões.

Mailza Assis e Alan Rick chegam à nova bateria de levantamentos protagonizando a disputa pelo Palácio Rio Branco, mas os institutos anteriores produziram fotografias bastante diferentes.

A AtlasIntel, no início de agosto, mostrou Mailza com 35,2% e Alan com 33,1%: empate técnico.

Depois vieram levantamentos colocando Alan na dianteira. A Quaest/Rede Amazônica, divulgada em 27 de agosto, por exemplo, registrou Alan com 33%, Mailza com 24% e Tião Bocalom com 15%. Foram 804 entrevistados e margem de erro de três pontos percentuais.

Outras pesquisas produziram distâncias diferentes.

E aí está o problema — ou a graça — desta semana.

Com quatro levantamentos chegando quase simultaneamente, ficará mais difícil escolher apenas o número conveniente e ignorar os demais.

Se três ou quatro institutos apontarem uma mesma tendência, teremos algo politicamente muito mais consistente para analisar.

Se cada um contar uma história diferente, a confusão aumenta.

Atlas terá um peso especial: é Atlas contra Atlas

A pesquisa da AtlasIntel merece uma lupa particular.

Não porque um instituto deva ser automaticamente considerado superior aos demais, mas porque já existe uma rodada anterior recente da própria Atlas.

Em agosto, ela encontrou Mailza com 35,2%, Alan com 33,1% e Bocalom com 18,5%.

Portanto, a pergunta na sexta-feira não será apenas quem está na frente.

Será:

quem cresceu?

Mailza manteve seus 35,2%?

Alan ultrapassou os 33,1%?

Bocalom continua perto dos 18,5% ou perdeu terreno?

Comparar pesquisas de institutos diferentes exige cautela. Comparar duas rodadas do mesmo instituto, especialmente quando realizadas em períodos próximos, oferece uma leitura muito mais interessante sobre a direção do movimento eleitoral.

Por isso, a nova Atlas poderá ser um dos momentos mais aguardados dessa sequência.

Travessia também terá que responder a si própria

Com a Travessia acontece algo semelhante.

Levantamento anterior do instituto mostrou Alan Rick com 37%, Mailza com 29% e Bocalom com 13%.

No domingo, portanto, novamente teremos uma comparação valiosa:

Travessia contra Travessia.

Se Alan continuar naquela faixa, haverá sinal de estabilidade.

Se Mailza reduzir significativamente a diferença, teremos indicação de crescimento dentro da própria série.

Se a distância aumentar, a leitura será inversa.

É assim que pesquisa deve ser analisada: menos paixão de torcida e mais comparação metodologicamente coerente.

E o Novo Perfil colocou mais pimenta no caldeirão

A pesquisa Novo Perfil divulgada no começo desta semana aumentou ainda mais a expectativa porque apresentou Alan e Mailza muito próximos.

Isso faz com que os quatro levantamentos desta semana funcionem quase como um tira-teima.

Se Veritá, Atlas, Travessia e Phoenix também encontrarem os dois candidatos separados por poucos pontos, ganhará enorme força a tese de que a eleição acreana entrou definitivamente numa disputa cabeça a cabeça.

Se, ao contrário, aparecer uma sequência consistente mostrando um deles claramente acima do adversário, será preciso reconhecer que pode estar surgindo uma tendência.

Uma pesquisa isolada faz manchete.

Quatro pesquisas praticamente simultâneas podem revelar movimento.

Bocalom enfrenta talvez seu teste mais importante

No meio dessa guerra entre Mailza e Alan existe Tião Bocalom.

E os próximos números serão igualmente decisivos para ele.

O ex-prefeito apareceu com 15% na Quaest, enquanto a Atlas anterior havia registrado 18,5%.

A questão agora é saber se Bocalom possui força para romper a polarização que começa a se desenhar ou se está se consolidando num distante terceiro lugar.

Quatro pesquisas em sequência poderão responder melhor a essa pergunta.

Se Bocalom aparecer repetidamente na casa dos 14%, 15%, 16% ou 17%, enquanto Mailza e Alan orbitarem os 30%, ficará difícil esconder a fotografia.

Se subir e encostar novamente nos dois primeiros, muda tudo.

Senado: ninguém deveria dormir tranquilo

No Senado, a expectativa talvez seja ainda maior.

São duas vagas e uma quantidade de candidatos competitivos suficiente para transformar cada ponto percentual em motivo de comemoração ou preocupação.

A Quaest colocou Gladson Cameli com 19%, Márcio Bittar com 14%, Mara Rocha e Jorge Viana empatados com 12%, Sérgio Petecão com 8% e Eduardo Velloso com 5% no cenário estimulado consolidado dos dois votos.

Já a Atlas anterior apresentou outro desenho: Márcio Bittar 20,6%, Gladson 18,5%, Mara Rocha 18,1%, Jorge Viana 11,4%, Petecão 9,9% e Velloso 6,4%.

Ou seja: ninguém deveria abrir champanhe ainda.

Especialmente porque a eleição para o Senado permite dois votos, exigindo atenção redobrada na comparação das metodologias e na forma como cada instituto divulga seus resultados.

Chega de escolher pesquisa como quem escolhe time

A sequência desta semana também permitirá colocar um velho hábito da política acreana à prova.

Quando a pesquisa é favorável, o instituto é “respeitadíssimo”.

Quando o resultado é ruim, imediatamente aparecem suspeitas sobre metodologia, contratante, entrevistadores, amostragem e até sobre a fase da lua.

É quase uma tradição eleitoral.

Mas quatro pesquisas em 72 horas dificultam esse jogo.

Não será razoável analisar apenas aquela que agrada ao candidato e jogar as outras três no lixo.

Será preciso observar o conjunto.

Quem aparece crescendo repetidamente?

Quem está caindo?

Quem parou de crescer?

Quem mantém posição independentemente do instituto?

Quem lidera apenas em determinadas metodologias?

Essas respostas valem muito mais do que simplesmente perguntar quem “ganhou” a pesquisa do dia.

Quinta começa o teste. Domingo teremos um retrato muito melhor

Veritá na quinta.

AtlasIntel na sexta.

Travessia e Phoenix no domingo.

Em apenas três dias, o eleitor acreano poderá receber quatro novos retratos da eleição.

E talvez finalmente seja possível separar tendência eleitoral de espuma de campanha.

Se Mailza aparecer crescendo em diferentes institutos, sua campanha ganhará combustível para sustentar que a governadora entrou definitivamente na briga pela liderança.

Se Alan mantiver vantagem consistente na maioria dos levantamentos, poderá argumentar que continua comandando a corrida.

Se os dois surgirem embolados repetidamente dentro ou próximos das margens de erro, acabou a discussão:

a eleição estará escancaradamente aberta.

E Bocalom terá de mostrar nos números se ainda existe espaço para transformar a disputa em uma corrida de três.

No Senado, Gladson, Bittar, Jorge, Mara, Petecão e Velloso também estarão diante de um enorme teste simultâneo.

A política acreana terá, portanto, uma semana de nervos expostos.

Serão quatro pesquisas, quatro institutos e apenas 72 horas.

No domingo à noite, provavelmente ainda não saberemos quem será governador nem quem ocupará as duas cadeiras do Acre no Senado.

Mas poderemos saber algo quase tão importante:

quem está realmente crescendo, quem está parado e quem vinha apenas fazendo barulho.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.