Bittar cancela sabatina e transforma o boné de Bolsonaro em questão política
Márcio Bittar desistiu de participar da sabatina do Bom Dia Acre, da Rede Amazônica, afiliada da Globo, na véspera de sua entrevista, agendada para esta segunda-feira.
A justificativa da assessoria foi a regra da emissora que proíbe candidatos de entrarem no estúdio com camisetas, bonés, bottons, adesivos ou qualquer outro item de identificação de campanha.
O detalhe é que a regra não foi criada para Bittar. Ela foi discutida em reunião com representantes dos candidatos no dia 20 de agosto – e aceita previamente pela coordenação de campanha do senador.
Houve sorteio da ordem das entrevistas e, segundo a emissora, os representantes assinaram a ata concordando com as normas.
Bittar havia confirmado presença na sexta-feira. No domingo à noite, cancelou.
E aí está a parte politicamente interessante.
O boné de Bolsonaro e a camisa com referências ao ex-presidente são praticamente uma extensão da imagem pública do senador. São símbolos que ele costuma carregar em sua comunicação política. Sem eles, aparentemente, a participação deixou de fazer sentido – e Bittar, ao que parece, não tem nada a propor para convencer o eleitor de que ele merece uma segunda chance como senador.
Há ainda uma ironia: Bittar é um dos políticos acreanos que mais critica a Globo e seu grupo de comunicação. Justamente agora, quando recebe da afiliada da emissora 25 minutos para falar ao eleitor, responder perguntas e defender sua candidatura, decide não comparecer.
Não precisava elogiar a Globo. Não precisava abandonar suas posições. Muito menos deixar de defender Bolsonaro.
Precisava apenas cumprir uma regra que vale para todos.
Mara Rocha, Petecão, Jorge Viana e Gladson Cameli também terão de entrar no estúdio sem adereços de campanha.
Sabatina não é comício. É o momento em que o candidato precisa sustentar sua candidatura sem depender do uniforme eleitoral.
Bittar tinha a oportunidade de fazer isso.
Preferiu não ir.
No fim, fica uma pergunta simples: o que pesa mais na candidatura de Márcio Bittar: o senador ou os símbolos que ele carrega?
O eleitor é quem vai responder.

