Há uma apreensão generalizada nos bastidores da política acreana. Não é para menos. Em um intervalo de apenas 48 horas, duas pesquisas eleitorais prometem jogar novos elementos sobre o tabuleiro da disputa majoritária e obrigar candidatos, marqueteiros e estrategistas a olhar com mais cuidado para o retrovisor — e, principalmente, para o que ainda falta percorrer.
O Instituto Data Control prevê divulgar, no próximo dia 23, números para o Governo do Acre, para o Senado, para a Assembléia Legislativa e à Câmara Federal.
Dois dias depois, no dia 25, será a vez do Instituto Delta apresentar seu novo retrato do eleitorado. E é justamente a proximidade entre as duas divulgações que aumenta a tensão.
Pesquisa eleitoral não ganha eleição sozinha. Mas pode mudar o humor de uma campanha, alimentar a militância, acender sinal amarelo em candidaturas que se julgavam confortáveis e, sobretudo, obrigar a inteligência estratégica a corrigir a rota.
No Acre, onde a disputa pelo governo tem produzido leituras diferentes conforme o instituto e o momento da campanha, os próximos números serão examinados com lupa. Mais do que saber quem aparece na frente, as campanhas estarão interessadas em descobrir quem cresceu, quem parou, quem caiu e, principalmente, onde ainda estão os eleitores que podem decidir a eleição.
A Delta, por exemplo, já apresentou levantamentos anteriores com cenários competitivos e alto contingente de eleitores ainda sem definição, especialmente quando a consulta é espontânea. Isso significa que a campanha continua sendo terreno fértil para movimentações — e que a fotografia divulgada agora pode exigir uma nova moldura para o candidato amanhã.
É aí que entra o verdadeiro trabalho dos estrategistas.
Se os números confirmarem crescimento, a ordem será aproveitar o embalo e consolidar a imagem de candidatura competitiva, transformando percentual em sensação de vitória. Se houver estagnação, será preciso encontrar novos caminhos para furar a bolha e alcançar o eleitor que ainda observa a disputa à distância. E, se aparecer queda, não haverá muito espaço para pânico público, mas certamente haverá reuniões reservadas, revisão de discurso e ajustes na forma de apresentar o candidato.
Na disputa pelo Senado, o efeito pode ser ainda mais sensível. Com várias candidaturas de peso disputando as vagas e um eleitorado submetido diariamente a uma avalanche de informações, uma pesquisa pode redefinir prioridades, intensificar alianças e até provocar mudanças na estratégia de vinculação entre candidatos majoritários e proporcionais.
O fato é que 23 e 25 de agosto entram no calendário político como datas de atenção máxima.
Ninguém vai admitir nervosismo. Publicamente, todas as campanhas continuarão dizendo que têm pesquisas internas, que os números são favoráveis e que o crescimento está acontecendo nas ruas. Nos bastidores, porém, muita gente estará esperando os resultados com a calculadora numa mão e o plano B na outra.
Porque, nesta altura da campanha, pesquisa não serve apenas para apontar um líder. Serve para responder à pergunta que mais atormenta qualquer comitê eleitoral: estamos apresentando o candidato certo, da maneira certa, para o eleitor que ainda precisa ser conquistado?
As respostas do Data Control e, dois dias depois, da Delta podem não encerrar essa discussão. Mas certamente têm potencial para balançar o tabuleiro e obrigar as campanhas a decidir entre uma coisa e outra: manter o rumo ou mexer na máquina antes que seja tarde demais.

