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Sem nada do fundo eleitoral, Marcus Alexandre faz a campanha que dinheiro não compra: amigos e o recall de prefeito bem avaliado

Enquanto parte dos candidatos entra na reta decisiva da eleição com campanhas abastecidas por recursos partidários, o ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre (MDB) segue por um caminho bem diferente na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Acre: uma campanha pé no chão, sustentada principalmente pelo contato direto com o eleitor e pelo capital político acumulado ao longo de sua passagem pela administração pública. Importa lembrar que Marcus, em agosto de 2016, segundo o Ibope, tinha 62% de avaliação ótima ou boa enquanto prefeito de Rio Branco; em setembro daquele ano, a Delta registrou 64% de ótima/boa. Pouco depois, ele foi reeleito no primeiro turno com 54,87% dos votos válidos (104.311 votos).

Agora, na corrida por uma das 24 vagas da Aleac, até os dados mais recentes consultados no sistema de prestação de contas eleitorais, Marcus aparece sem o mesmo volume de recursos do Fundo Eleitoral já destinado a outros nomes de sua própria legenda.

A diferença financeira, entretanto, não provocou mudança de postura nem reclamações públicas do candidato.

Marcus Alexandre tem evitado transformar a distribuição interna dos recursos do MDB em assunto de campanha. Mesmo diante da disparidade, não fez ataques à direção nacional, não cobrou publicamente tratamento diferenciado e tampouco permitiu que a questão financeira se sobrepusesse à sua estratégia eleitoral.

É um gesto que merece ser observado justamente porque dinheiro é um dos assuntos mais sensíveis dentro dos partidos durante uma eleição.

Sem uma estrutura financeira comparável à de outros concorrentes, Marcus decidiu recorrer ao patrimônio que dinheiro de campanha não compra facilmente: relações construídas ao longo dos anos, amigos, antigos colaboradores, lideranças comunitárias e eleitores que guardam referências de sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco e por outros cargos públicos.

Nas ruas, reuniões e encontros menores, o ex-prefeito tenta transformar reconhecimento pessoal em voto.

É uma campanha com menos aparato e mais conversa.

Marcus visita comunidades, reencontra antigos apoiadores, conversa com famílias e procura apresentar sua candidatura à Aleac como uma espécie de retorno às origens da política feita no corpo a corpo. Em vez de reclamar daquilo que ainda não chegou ao caixa, trabalha com aquilo que possui: seu nome, sua história administrativa e a lembrança deixada entre setores da população durante os anos em que comandou Rio Branco.

A postura também evita criar uma crise dentro do próprio MDB.

Mesmo podendo questionar por que outros candidatos receberam recursos enquanto sua campanha enfrenta limitações financeiras, Marcus Alexandre tem mantido publicamente respeito às decisões partidárias. Não há discurso de vítima nem tentativa de transferir ao partido a responsabilidade pelas dificuldades naturais de uma campanha eleitoral.

Ao contrário: segue pedindo voto.

Essa talvez seja uma das características mais curiosas de sua campanha em 2026. Marcus está tentando descobrir até onde é possível chegar quando o principal combustível eleitoral não é o dinheiro, mas o recall de um ex-prefeito e a rede de relações construída durante décadas de vida pública.

E há uma diferença importante.

Campanhas milionárias conseguem comprar estrutura, publicidade, deslocamentos, equipes e presença nas redes sociais. Não conseguem comprar, porém, a memória que o eleitor guarda de um gestor.

É justamente nessa memória que Marcus Alexandre parece apostar.

Cada aperto de mão, cada visita e cada reencontro passam a ter peso ainda maior numa campanha com recursos limitados. Amigos e simpatizantes acabam funcionando também como multiplicadores espontâneos de uma candidatura que precisa compensar na mobilização aquilo que não possui em estrutura financeira.

O ex-prefeito transforma, assim, uma aparente fragilidade em narrativa eleitoral: a campanha simples de quem prefere caminhar, conversar e apresentar sua história ao eleitor em vez de lamentar a falta de dinheiro.

Naturalmente, o quadro financeiro ainda pode mudar. Novos repasses partidários podem ocorrer e os registros da Justiça Eleitoral são atualizados ao longo da campanha. Mas, até aqui, Marcus Alexandre atravessa a disputa demonstrando que não pretende condicionar sua candidatura ao tamanho do cheque enviado pela direção partidária.

Para quem já administrou a maior cidade do Acre e agora busca uma cadeira na Assembleia Legislativa, a estratégia parece resumida numa equação bastante simples:

menos dinheiro, mais rua; menos reclamação, mais conversa; menos estrutura, mais confiança no legado.

Se essa campanha franciscana será suficiente para levá-lo à Aleac, somente as urnas dirão.

Mas uma coisa Marcus Alexandre já conseguiu preservar: mesmo diante da diferença de tratamento financeiro dentro da própria legenda, não fez do MDB adversário de sua própria campanha.

Preferiu continuar trabalhando.

E, numa eleição em que milhões de reais do Fundo Eleitoral frequentemente se transformam em motivo de disputa, cobrança e ressentimento dentro dos partidos, o silêncio de Marcus sobre aquilo que não recebeu acaba dizendo muito sobre a maneira como decidiu disputar esta eleição.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.