Resultado da eleição presidencial deste ano muda o cenário político no Acre e abre espaço para que a governadora reeleita do Acre, Mailza Assis (PP) construa sua administração com maior autonomia, sem depender das articulações de um senador bolsonarista que se apresentava como o representante do candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). E já pavimentação caminhos tortuosos para ser ministro e candidato a governador do Acre.
Mailza Assis nada deve ao projeto familiar do senador Márcio Bittar., um ser a quem não se deve confirmar bem de olhos bem abertos, que traiu o governador acreano faltando horas para a votação e desprezando o fato de ele, Bittar, ser o que é graças ao empenho de Gladson Cameli. Maílza sabe que gratidão é sentimento nobre, tanto que jamais alugou Cameli de seu palanque e, hoje, além de bons amigos, pensam, juntos, o melhor para o seu povo.
Durante a campanha, a proximidade do senador acreano com o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro alimentou uma questão nos bastidores da política estadual: até que ponto essa relação poderia se transformar em instrumento de influência sobre o novo governo de Mailza?
A preocupação era legítima. Afinal, uma coisa é um parlamentar buscar espaço político, defender seus aliados e apresentar demandas ao Executivo. Outra, completamente diferente, é pretender transformar a administração estadual numa extensão dos interesses de seu gabinete e de seu próprio mandato, que até o momento só sinalizou com a realização de projetos políticos pessoais, como foi a tentativa de eleger a ex-mulher senadora e o filho como deputado federal.
O Acre estaria refém na hipótese de Flávio Bolsonaro, já que o senador poderia reivindicar uma posição privilegiada de interlocução com o Palácio do Planalto. Essa condição, dependendo da forma como fosse exercida, teria potencial para ampliar sua influência nas negociações políticas e administrativas do Acre, pleiteando mais espaço de poder e influência na administração da governadora reeleita.
É justamente nesse contexto que surge a expressão “senador parasita”, empregada aqui como metáfora crítica a um modelo de atuação política no qual a força de um mandato depende da capacidade de se instalar nas estruturas de outro poder e extrair vantagens políticas dessa relação, tendo como exemplo a nomeação de um filho em um cargo técnico em que ele não tinha nenhuma intimidade com o órgão.
Não se trata de negar o papel institucional do Senado, tampouco o direito de um parlamentar participar das articulações políticas que envolvem o estado, mas de estancar a gula de um político que tenta apenas fortalecer um projeto familiar e poder. A questão é saber onde termina a cooperação republicana e onde começa a tentativa de subordinação política da gestão estadual.
Com Lula na Presidência, a equação muda.
A governadora Mailza Assis deixa de enfrentar, ao menos potencialmente, um cenário em que a proximidade de um senador com o presidente da República poderia funcionar como fator de pressão permanente sobre suas decisões.
Isso não significa que as divergências desaparecerão, nem que o parlamentar perderá sua capacidade de articulação. Significa, porém, que a relação privilegiada com o candidato derrotado deixa de oferecer a mesma perspectiva de influência sobre o governo federal.
E essa mudança pode ser politicamente libertadora.
Mailza tem agora a oportunidade de organizar sua equipe, estabelecer prioridades, construir alianças e conduzir a administração estadual sem que as pretensões de um mandato parlamentar sejam confundidas com obrigações do governo.
O Acre precisa de uma governadora que governe. Não de uma administração permanentemente ocupada em satisfazer interesses eleitorais de terceiros.
A relação entre o Governo do Estado e a bancada federal deve existir, evidentemente. Mas precisa ser construída com base no interesse público, no respeito institucional e na defesa das necessidades da população acreana — nunca na ideia de que um senador, por possuir acesso privilegiado ao poder central, possa determinar os rumos do Executivo estadual.
A vitória de Lula não entrega automaticamente independência política a Mailza. Essa independência dependerá, sobretudo, das escolhas da própria governadora.
Mas retira do tabuleiro uma peça importante do cenário de pressão que poderia se formar caso o candidato apoiado pelo senador chegasse à Presidência.
O resultado das urnas, portanto, oferece a Mailza uma oportunidade de afirmar sua autoridade política e administrativa.

