Será necessário ajuste fiscal até 2027, diz Mansueto ao WW
O pacote fiscal anunciado pelo governo federal no final de novembro não caiu no gosto do mercado. Para Mansueto Almeida, no pior dos casos o anúncio teria sido neutro.
O economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, porém, reforça, em entrevista ao WW desta quarta-feira (18), que as medidas vieram aquém do esperado, e desde então o mercado piorou todos os dias.
A gestão Lula recebeu de Bolsonaro uma dívida de valor equivalente a 72% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas de um país. Mansueto aponta estimativas de que, ao final deste mandato, o rombo possa ficar entre 85% e 86% do PIB.
Desse modo, o ex-Tesouro afirmou que o país caminha “inevitavelmente para um ajuste fiscal robusto na virada deste governo para o próximo”.
“O problema macroeconômico que temos é toda a incerteza em relação ao fiscal e a falta de consenso sobre o que fazer”, disse o economista-chefe do BTG, indicando que o ajuste pode seguir por dois caminhos: aumento de receita ou, preferencialmente, controle de despesa.
“Quanto antes fizer o ajuste, menor vai ser o custo lá na frente. Se adiar muito o ajuste e chegar no fim do governo com a dívida elevadíssima, vai ter que ter um ajuste fiscal forte em 2027”, concluiu Mansueto.
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Ele reforça que algumas medidas apresentadas no pacote fiscal foram na direção certa, mas que elas por si só não seriam suficientes para estabilizar a dívida. O economista defende que ainda falta clareza nesse sentido e que, caso Lula busque a reeleição em 2026, precisará endereçar a questão com eficiência.
“Eu espero que os assessores expliquem o seguinte: se não melhorar o fiscal, aumenta a inflação, e inflação alta tira popularidade. Podemos ter uma inflação muito alta e prejudicar a aprovação do governo; e a melhor forma para ser aprovado e eleito é trazer estabilidade”, pontuou.
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