Início / Versão completa
geral

Entenda o que é acordo Mercosul-UE, que entra em vigor de forma provisória

Por CNN 30/04/2026 22:39 Atualizado em 30/04/2026 22:39

Após 26 anos de negociações, o acordo de livre comércio do Mercosul e com a UE (União Europeia) entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira (1º). Desde 1999, os blocos trabalhavam na construção do tratado.

A princípio, com a conclusão dos trâmites internos e a troca formal de notificações entre as partes, entra em vigor a parte comercial do tratado, que facilita as trocas entre as partes.

Os pilares político e de cooperação do acordo exigem, porém, a ratificação completa por todos os países da União Europeia, ainda sem previsão de acontecer.

Leia Mais

Em dezembro de 2024, o acordo enfim foi anunciado, em Montevidéu, capital do Uruguai, que sediou a Cúpula de Chefes de Estado do bloco.

Após entraves e resistências do lado europeu, a assinatura em 2025 acabou frustrada. Mas, no começo deste ano, o acordo foi enfim selado.

Mas afinal de contas, o que é um acordo de livre comércio e por que este em específico é tão debatido?

O que é um acordo de livre comércio?

Os acordos de livre comércio são tratados bilaterais firmados entre blocos e/ou países para abrir as portas aos negócios entre as partes.

Regras de origem, comércio de serviços, compras governamentais, propriedade intelectual, barreiras técnicas, defesa comercial e outros tópicos são alguns sobre os quais esses acordos abordam e buscam facilitar.

A modalidade é mais ampla que os acordos de preferência comercial, que promovem abertura no comércio de bens em menor expressividade, sem estabelecer limites mínimos ou máximos de comércio.

E o que é o acordo de livre comércio Mercosul-UE?

Durante a Cimeira da América Latina, Caribe e UE, realizada no Rio de Janeiro, entre junho e julho de 1999, foram lançadas as tratativas entre o Mercosul e o bloco europeu. Já no começo, a avaliação era de que as negociações seriam longas e difíceis.

A princípio, o interesse era a complementaridade que as partes tinham a oferecer entre si: enquanto o Mercosul carrega oportunidades fortes no agronegócio — principalmente por conta do Brasil —, a UE tem uma indústria mais robusta — encabeçada pela Alemanha.

Com o passar dos anos, a indústria alemã não conseguiu acompanhar o ritmo e se manter competitiva contra a chinesa. Enquanto isso, o agronegócio francês tornou a Europa seu principal cliente, mas não evoluiu o suficiente para se comparar ao agro brasileiro.

De um lado, havia necessidade de ampliar o acesso ao mercado sulamericano; do outro, temor sobre a concorrência.

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que a assinatura do acordo pode gerar aumento de 0,46% na economia brasileira entre 2024 e 2040, além de um crescimento de 1,49% nos investimentos.

A seguir, confira os tópicos abordados pelo acordo.

Comércio de Bens

O capítulo estabelece o livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, a partir de compromissos entre as partes sobre o comércio de bens.

Temas como tratamento nacional, taxas e outros encargos sobre importações e exportações, procedimentos de licenciamento de importação e exportação, tributos incidentes sobre exportação, empresas estatais, bens reparados e outros são abordados para firmar as bases do acordo.

92% dos produtos originários do Mercosul devem ficar livres de taxações na UE, segundo as preferências previstas no capítulo de bens. Para efeito comparativo, sem o acordo, apenas 24% das exportações que chegam na Europa são isentas de tarifas.

Já por parte do Mercosul, a previsão é liberar 91% das importações originárias da UE das cobranças.

A UE vai eliminar 100% de suas tarifas industriais em até dez anos, enquanto o Mercosul vai cortar 91% em termos de linhas tarifárias e de comércio em até 15 anos.

Regras de origem

O objetivo deste tópico é garantir que os agentes econômicos dos dois lados do acordo sejam os beneficiários das preferências negociadas.

Desse modo, os diplomatas buscaram acordar mecanismos para prevenir e combater irregularidades e fraudes relacionadas à obtenção de tratamento tarifário preferencial, buscando solicitar requisitos específicos de origem para todo o universo tarifário.

Facilitação de comércio

A fim de potencializar os benefícios do acordo, o tópico trata de questões ligadas a:

Pequenas e Médias Empresas

As partes buscaram também alinhar mecanismos específicos para auxiliar as micro, pequenas e médias empresas.

As medidas preveem o intercâmbio de informações e a criação de coordenadores para os pequenos negócios, cujo objetivo será desenvolver e implementar um programa de trabalho destinado a apoiar os esforços de internacionalização dos pequenos negócios.

Serviços

Nesse sentido, foram propostas medidas para atender os agentes ligados aos quatro modos de prestação de serviços: comércio transfronteiriço, consumo no exterior, presença comercial e movimento temporário de pessoas físicas.

O objetivo dessas tratativas é evitar a discriminação de prestadores de serviços e investidores estrangeiros em favor dos nacionais, além de ampliar a transparência e a segurança jurídica para prestadores de serviços e investidores realizarem negócios.

Compras governamentais

O objetivo de padronizar acórdãos nesse sentido é garantir maior concorrência e acesso nas licitações públicas domésticas, bem como a incorporação de padrões internacionais na área de transparência.

O acordo Mercosul-UE deve assegurar que os fornecedores de bens e serviços serão tratados como se fossem domésticos.

Propriedade intelectual

Neste capítulo, o acordo reforça padrões internacionais nas áreas de patentes, marcas, desenho industrial e direitos autorais.

A novidade é que o tratado propõe reconhecimento mútuo de indicações geográficas, mediante prazo adequado para readequar a produção doméstica.

Empresas estatais

As medidas não criam impedimentos. Do contrário, o acordo reconhece a natureza especial dessas empresas e busca garantir que as estatais atuem com base em considerações comerciais, permitindo que elas deixem de receber essa premissa sempre que necessário para cumprir seus respectivos mandatos.

Solução de controvérsias

O dispositivo prevê medidas para auxiliar as partes na resolução de disputas comerciais, mas ainda preservando o direito de recurso aos mecanismos da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Comércio e desenvolvimento sustentável

O tópico reforça o compromisso das partes com as propostas da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima e do Acordo de Paris.

Barreiras técnicas ao comércio

O capítulo prevê outras medidas que promovam iniciativas facilitadoras de comércio.

Nesse tópico, são previstos mecanismos para promover a transparência — inclusive incentivando a análise de impacto regulatório e de consultas públicas —, rotulagem e cooperação e assistência técnica entre as partes.

Automotivo

O anexo em questão prevê a aceitação de relatórios de ensaios para requisitos previstos na legislação doméstica com referência ou incorporação integral de normas da ONU (Organização das Nações Unidas).

Defesa comercial e salvaguardas bilaterais

A fim de garantir a regulação e proteção das partes, o acordo também abrange medidas antidumping, compensatórias e salvaguardas globais.

Neste tópico são previstos mecanismos para promover transparência nas investigações e consultas informais, em especial em casos multilaterais, havendo também disposições sobre regra do menor direito, compromissos de preços e revisões de final de período.

O que deve ficar mais barato com o acordo entre Mercosul-UE

Conteúdo interativo removido automaticamente para manter a página AMP válida.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.