Início / Versão completa
geral

Relembre trajetória do acordo de livre comércio entre Mercosul e UE

Por CNN 30/04/2026 22:39 Atualizado em 30/04/2026 22:39

Durante a Cimeira da América Latina, Caribe e UE (União Europeia), realizada no Rio de Janeiro, entre junho e julho de 1999, foram lançadas as tratativas entre o Mercosul e o bloco europeu.

Já no começo, a avaliação era de que as negociações seriam longas e difíceis.

Ao longo de mais de 20 anos os blocos desenharam um arcabouço para estruturar a abertura comercial entre eles. E agora, nesta sexta-feira (1º), o acordo entra em vigor, mas em caráter provisório.

A princípio, com a conclusão dos trâmites internos e a troca formal de notificações entre as partes, entra em vigor a parte comercial do tratado, que facilita as trocas entre as partes.

Os pilares político e de cooperação do acordo exigem, porém, a ratificação completa por todos os países da União Europeia, ainda sem previsão para acontecer.

Leia Mais

Como surgiu o acordo de livre comércio?

A princípio, o interesse era a complementaridade que as partes tinham a oferecer entre si: enquanto o Mercosul carrega oportunidades fortes no agronegócio — principalmente por conta do Brasil —, a UE tem uma indústria mais robusta — encabeçada pela Alemanha.

Com o passar dos anos, a indústria alemã não conseguiu acompanhar o ritmo e se manter competitiva contra a chinesa. Desse modo, surgiu de um lado a urgência de ampliar mercado.

Enquanto isso, o agronegócio francês tornou a Europa seu principal cliente, mas não evoluiu o suficiente para se comparar ao agro brasileiro. Assim, do outro lado, alimentou-se um temor pela concorrência.

Duas décadas de discussões

O debate se estendeu por 25 anos até que, em dezembro de 2024, o acordo enfim foi anunciado, em Montevidéu, capital do Uruguai, que sediou a Cúpula de Chefes de Estado do bloco.

A expectativa era de que o acordo fosse assinado em 2025, contudo a União Europeia não conseguiu aprovar o tratado devido à resistência de alguns países membros, principalmente França e Itália, que pediram o adiamento da votação no Conselho Europeu.

A assinatura do acordo só veio a ser viabilizada no começo deste ano.

Ainda assim, antes de entrar em vigor, o acordo requer a ratificação pelo Legislativo dos países-membro de ambos os lados, processo que enfrenta ampla resistência na Europa.

Após a assinatura, as partes resistentes tentaram pressionar dois pedidos de eurodeputados para levar o acordo de livre comércio à avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Entraves e acordo provisório

No começo do ano, em meio à tramitação do acordo, agricultores europeus realizaram grandes protestos em Bruxelas, capital belga que sedia a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu.

Para fazer o acordo avançar, o Parlamento Europeu aprovou um regulamento interno de salvaguardas agrícolas no âmbito do tratado de livre comércio.

Em nota, o organismo informou que a norma prevê “garantias adicionais para produtos agrícolas sensíveis, como carne bovina e aves”.

Ao longo da discussão, a França manteve resistência firme contra o acordo, enquanto a posição italiana oscilou. Inicialmente favorável ao acordo, Roma passou a apresentar novas exigências durante as rodadas de negociação e, em alguns momentos, também chegou a sinalizar resistência ao texto, elevando a expectativa em torno de seu posicionamento final.

Por fim, o Conselho Europeu deu sinal verde para aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. O avanço ocorreu mesmo com as divergências por parte da França, Polônia e Irlanda.

Mas sem a ratificação final do Parlamento Europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, cravou que a UE implementaria o acordo de livre comércio com o Mercosul em caráter provisório assim que pelo menos um país do bloco sulamericano ratificasse o acordo.

O tratado avançou com celeridade pelos quatro países-membro do Mercosul: Uruguai, o primeiro a ratificar o acordo; Argentina, em segundo lugar;  Brasil e Paraguai.

Acordo Mercosul–UE reforça perspectivas positivas para fruticultura em 2026

Conteúdo interativo removido automaticamente para manter a página AMP válida.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.