Etanol domina moagem de cana no início da safra 2026/27
Na primeira quinzena de abril, momento que marca a abertura da safra 2026/27 para o setor, dois terços da produção de cana-de-açúcar foram destinados à fabricação de etanol, segundo levantamento da Unica (União das Indústrias de Cana-de-açúcar e Bioenergia) divulgado nesta quinta-feira (30).
A moagem na região Centro-Sul alcançou 19,56 milhões de toneladas, um aumento de 19,67% frente ao mesmo período de 2025.
A produção de etanol totalizou 1,23 bilhão de litros, um alta de 33,32% em comparação a 2025. Desse total, 879,87 milhões de litros foram de etanol hidratado (salto de 18,54%), e 350,2 milhões de litros de etanol anidro.
No período, a produção de etanol de milho avançou 15,06% em comparação ao mesmo período de 2025 e totalizou 411,94 milhões de litros (33,49% do total produzido no país).
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Ao mesmo tempo, a produção de açúcar apresentou uma queda de 11,94% e totalizou 647,21mil toneladas.
Ao todo, 195 unidades produtoras estavam em operação ao término da quinzena — 177 com processamento de cana, 10 dedicadas ao etanol de milho e 8 usinas flex —, reflexo da entrada de 126 unidades nos primeiros quinze dias de abril, somadas às 52 que já operavam na segunda quinzena de março.
A qualidade da matéria-prima manteve-se estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada, redução de 0,10% frente o mesmo período do ciclo passado.
Segundo o diretor de Inteligência Setorial, Regulação e Competitividade da Unica, Luciano Rodrigues, o aumento da produção de etanol garante segurança para o mercado interno. “Esse movimento reflete as condições de mercado favoráveis ao etanol neste início de safra e, ao mesmo tempo, oferece maior segurança ao abastecimento doméstico em um momento em que inúmeros países enfrentam incertezas energéticas”, destacou.
Vendas de etanol
As vendas de etanol no mercado interno no período analisado alcançaram 1,25 bilhão de litros e a expectativa do setor é que o número aumente nas próximas semanas. “A expectativa é de crescimento consistente das vendas à medida que a queda de preço já observada na porta da usina seja transmitida para o consumidor final. Na primeira quinzena de abril, os preços ao consumidor ainda não refletiam o movimento verificado no elo produtor — esse repasse, quando ocorrer, deve ampliar a atratividade do etanol hidratado nos postos”, explicou Rodrigues.
Produção na safra 2025/26
Na safra 2025/26, as usinas processaram 611,15 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, segundo levantamento da Unica, um recuo de 10,78 milhões de toneladas frente à temporada anterior.
A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, número semelhante à 2024/25 (40,18 milhões de toneladas).
O volume de etanol recuou 3,56% frente ao recorde histórico do ciclo 2024/25, totalizando 33,72 bilhões de litros. Desse total, 20,83 bilhões foram etanol hidratado (recuo de 7,82% frente ao último ciclo) e 12,89 bilhões ao etanol anidro (segundo maior valor da série histórica).
A produção de etanol de milho também apresentou crescimento no período e totalizou 9,19 bilhões de litros (salto de 12,26%), o que corresponde a 27,28% da produção anual de biocombustíveis no Brasil.
As vendas de etanol no ciclo somaram 20,34 bilhões de litros , com destaque para o etanol anidro, que totalizou 13,04 bilhões de litros, impulsionados pelo E30 (aumento na porcentagem de etanol na gasolina de 27% para 30%) em agosto de 2025.
“No ciclo 2025/2026, além da economia de R$ 4 bilhões gerada aos proprietários de veículos flex-fuel, o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa — o maior resultado da série histórica. Esse desempenho reflete a consistência de participação do etanol hidratado no abastecimento da frota brasileira de veículos leves”, destacou a Unica, em nota
Recuo na produtividade
O levantamento revela uma queda marginal, de 4,1%, no índice de produtividade agrícola puxado por Minas Gerais (15%), Goiás (9,4%) e São Paulo (4,3%). De acordo com dados do CTC (Centro de Tecnologias Canavieira), o índice nesta safra foi de 74,7 toneladas por hectare.
A qualidade na matéria-prima reduziu 2,34% frente ao ciclo anterior, devido a problemas climáticos.
*Sob supervisão da Fernanda Pressinott