Início / Versão completa
geral

Mounjaro: entenda a liberação do uso pediátrico pela Anvisa

Por CNN 29/04/2026 20:39 Atualizado em 29/04/2026 20:39

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, na última quarta-feira (22), resolução que autoriza o uso de tirzepatida no tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes. Diferentemente do tipo 1, doença crônica autoimune, o tipo 2 está associado, na maioria dos casos, ao excesso de peso, à resistência à insulina e a fatores como alimentação e sedentarismo.

Comercializado no Brasil como Mounjaro, o tratamento já é amplamente difundido entre adultos. A inclusão de nova faixa etária aconteceu mediante análise técnica pela agência, que confirma benefícios do medicamento para pacientes de 10 a 17 anos. 

Apesar dos debates sobre o uso do Mounjaro fora da indicação original em adultos, a associação entre o diagnóstico de obesidade infantil e o aumento de casos de diabetes tipo 2 expõe cenário favorável à aposta em novo tratamento

Aumento de casos de diabetes está associado à obesidade infantil

A obesidade infantil apresentou crescimento vertiginoso nos últimos anos. De acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), o sobrepeso entre crianças e adolescentes cresceu cerca de 9% entre 2014 e 2024. Os dados revelam que, no Brasil, o número de obesos de 10 a 19 anos chega a 840 mil.

Leia mais

A doença está diretamente relacionada ao aumento dos casos de diabetes. A médica Louise Cominato, chefe do serviço de endocrinologia pediátrica do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas (HCFMUSP), explica que o excesso de peso desencadeia uma resistência insulínica, que pode evoluir rapidamente para a doença.

Para ela, trata-se de uma condição multifatorial: mudanças de estilo de vida, maior consumo de alimentos ultraprocessados, sedentarismo, excesso de telas, pior qualidade do sono e menor prática de atividade física são agravantes. “Quanto mais cedo começar a obesidade, mais cedo se desenvolve essa resistência e o risco de diabetes tipo 2”, explica.

Pela definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), a diabetes tipo 2 só é diagnosticada na adolescência. No passado, chegou a ser chamada de “diabetes do adulto”, pela baixa incidência em crianças. Essa definição contribuiu para a delimitação da faixa etária do uso pediátrico da tirzepatida, apenas a partir dos 10 anos.

Como funciona o tratamento com a tirzepatida e as principais diferenças entre crianças e adultos

A Tirzepatida é uma medicação injetável que, atuando de forma análoga a proteínas do próprio corpo, estimula a produção de insulina, regulando a glicose sanguínea. Além da regulação, também tem efeito no sistema nervoso central e no trato gastrointestinal, controlando o apetite.

A necessidade de ampliar as opções terapêuticas em crianças e adolescentes se justifica pelo desenvolvimento mais agressivo da diabetes nesta idade do que na fase adulta: a doença tem progressão mais rápida e aumenta o risco de comorbidades associadas.

Ensaio publicado na revista The Lancet mostrou que a tirzepatida levou a uma redução significativa dos níveis de glicose no sangue em adolescentes com diabetes tipo 2, além de queda no índice de massa corporal. “Além do controle glicêmico, que é o desfecho primário, também se observou eficácia na questão do peso”, explicou Cominato.

Até o momento, os efeitos colaterais do uso pediátrico se parecem com os efeitos em adultos, como náuseas, dores abdominais e diarreia. A médica Julienne Carvalho, pediatra com especialização em endocrinologia pediátrica, alerta para as principais contraindicações: “Como qualquer medicação, a tirzepatida tem suas limitações”, explica. “Adolescentes com transtorno alimentar não devem usar, além de pacientes com carcinoma medular de tireoide, uma condição rara”.

Controle da venda no Brasil e uso exclusivo para obesidade

Hoje, a compra do medicamento só acontece mediante apresentação de receita e com o CPF do paciente, protocolo desenvolvido pela Anvisa para limitar o uso de canetas emagrecedoras para fins estéticos. No entanto, casos de contrabando continuam ocorrendo, sobretudo a venda ilegal no Paraguai. 

“É um desafio complexo fazer com que essas canetas, que são bons remédios, não virem apenas uma solução cosmética”, ressalta Cominato. A médica alerta para a importância do cuidado não só com relação à receita médica e ao acompanhamento profissional, mas com a procedência do medicamento.

No caso da obesidade sem diabetes, a tirzepatida ainda não tem indicação formal no Brasil. Os tratamentos para a doença aprovados para uso pediátrico se restringem a liraglutida e semaglutida em adolescentes, a partir dos 12 anos, sempre associados à dieta e outros protocolos. 

Julienne Carvalho acredita que, com a evolução dos estudos clínicos, a recomendação pode acontecer: “A partir de estudos que mostram eficácia e segurança para o tratamento de crianças com diabetes, pode ser que o medicamento seja provado para tratamento de obesidade, no futuro”, comenta.

Mounjaro reduz risco de pré-diabetes virar diabetes em 94%

Conteúdo interativo removido automaticamente para manter a página AMP válida.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.