Saída dos Emirados Árabes da Opep pode afetar o seu bolso?
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram na manhã desta terça-feira (28) sua saída da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e da Opep+, com efeito a partir de 1º de maio.
De acordo com o ministro da Energia do país, Suhail Al Mazrouei, em entrevista à jornalista Becky Anderson, da CNN, o impacto da decisão deve ser limitado neste momento, principalmente em função do fechamento do Estreito de Ormuz.
-
20% dos apostadores veem bets como investimento no Brasil, aponta Anbima
-
BYD reporta queda de 55% no lucro líquido do 1º tri de 2026
-
Bolsas da Europa fecham mistas com cautela diante de diálogo EUA-Irã
A Opep foi criada em 1960, inicialmente por Iraque, Irã, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela, e se expandiu para 13 países ao longo dos anos. Atualmente, o grupo conta como membros:
- Arábia Saudita;
- Argélia;
- Congo;
- Gabão;
- Guiné;
- Equatorial;
- Irã;
- Iraque;
- Kuwait;
- Líbia;
- Nigéria;
- Venezuela.
Segundo o cartel, o objetivo é definir metas de produção de petróleo e coordenar a oferta, com a finalidade de influenciar os preços globais da commodity.
Em 2016, com a queda expressiva dos preços do petróleo diante do avanço da produção de petróleo xisto nos Estados Unidos, a Opep firmou um acordo com outros dez países produtores, dando origem à chamada Opep+. Atualmente, fazem parte desse grupo ampliado:
- Cazaquistão;
- México;
- Omã;
- Rússia;
- Brasil (observador).
A produção de petróleo bruto da Opep+ teve média de 35,06 milhões de barris por dia em março, segundo relatório mensal do grupo. Em maior escala, os países do cartel respondem por cerca de 30% da produção mundial.
Nesse contexto, a saída dos Emirados Árabes Unidos pode alterar significativamente o cenário, já que, segundo a EIA (Administração de Informação de Energia dos EUA), o país representava cerca de 13,6% da produção da Opep – o equivalente a 4,6 milhões de barris por dia – e 4,3% da produção mundial.
Como destacou o próprio ministro, os efeitos imediatos tendem a ser limitados devido ao fechamento do Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de um quinto do petróleo global – em meio ao conflito no Oriente Médio entre EUA e Irã (também parte do cartel).
No entanto, o cenário deve mudar no médio e longo prazo. Fora do cartel, os Emirados ganham maior liberdade para elevar sua produção, estimada em cerca de 5 milhões de barris diários – acima das cotas anteriormente respeitadas pela Opep -, afirma Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, ao CNN Money.
Conforme o especialista, com a eventual normalização das rotas marítimas, o aumento da oferta da commodity no mercado internacional pode pressionar os preços para baixo e elevar a volatilidade.
“Esse movimento também pode contribuir para aliviar a inflação, especialmente aquela associada aos combustíveis e seus derivados”, explica o professor de pós-graduação em Economia na UFU (Universidade Federal de Uberlândia), Betino Salomão.
O especialista explica que, desde o início do conflito no Irã, os preços do petróleo subiram de forma expressiva, principalmente após o fechamento do Estreito de Ormuz.
No Brasil, o preço dos combustíveis subiram 6,06% na prévia da inflação de abril.
A gasolina aumentou 6,23%, o principal impacto individual da inflação do mês, 0,32 ponto porcentual. O óleo diesel subiu 16,00%, terceira maior pressão inflacionária, 0,04 ponto porcentual. O etanol avançou 2,17%, e o gás veicular recuou 1,55%.
Dessa forma, com o aumento gradual da oferta global, há expectativa de normalização dos preços no país, cita o professor.
Para ambos os especialistas, isso tende a ser positivo, tanto para a economia quanto para o consumidor, tendo em vista que produtos que dependem diretamente do petróleo – como combustíveis, transporte rodoviário, plásticos e outros derivados – podem deixar de pesar tanto no orçamento do brasileiro.
Salomão ainda adiciona que, caso o efeito venha ser adverso, um eventual aumento do petróleo tende a não ser mais fator de tanta preocupação, muito devido a queda do dólar vista recentemente.
“O preço internacional do petróleo em dólares está subindo, mas a depreciação do dólar frente ao real pode amortecer esse impacto no mercado doméstico. Mesmo com alta lá fora, a moeda estrangeira mais barata reduz a transmissão para os preços internos”, explicam analistas.
Por outro lado, Gustavo Spinola, estrategista-chefe da RB Invetimentos, ressalta que esses efeitos não devem ocorrer no curto prazo. Ainda assim, a saída de um dos principais produtores é vista como um fator de enfraquecimento da Opep+.
“Eu diria que essa é uma notícia bastante positiva para quem espera preços mais baixos de petróleo e combustíveis no futuro”, avaliam.