Em entrevista exclusiva à CNN Brasil durante a Brazil Week, em Nova York, o fundador da XP Inc., Guilherme Benchimol, afirmou que o Brasil é visto pelos investidores estrangeiros como a principal oportunidade de investimento no cenário global atual.
Para ele, a combinação de fatores como a dimensão continental do país, a democracia estabelecida e a abundância de energia torna o Brasil extremamente atraente aos olhos do capital externo.
Benchimol destacou que o contexto internacional contribui para esse interesse.
“A economia americana vai crescer um pouco menos do que cresceu nos últimos anos. Então, quando você tem a economia americana um pouco mais fraca, o dólar mais fraco, sobra mais dólar no mundo”, explicou.
Com menos opções de destino para esses recursos, o Brasil ganha protagonismo.
Questão fiscal é o principal obstáculo
Apesar do otimismo, Benchimol apontou que as questões fiscais representam a maior barreira para a entrada de capital estrangeiro no país.
Segundo ele, o Brasil possui uma carga tributária elevada e uma relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) alta, o que gera incerteza sobre o comportamento do câmbio no longo prazo.
“Se o Brasil não endereçar as questões fiscais, eu posso sair do Brasil num dólar que eu não sei fazer a conta correta”, afirmou.
Para ele, se o país cumprir o dever de casa nesse aspecto, há potencial para uma grande entrada de recursos, com impacto direto em investimentos, empregos e renda.
Benchimol também observou que o investidor estrangeiro tende a olhar menos para eventos pontuais, como escândalos no setor financeiro, e se concentra mais nos fundamentos macroeconômicos.
“Ele enxerga que o Brasil é uma mina de ouro, tem várias empresas espetaculares, mas ele não sabe fazer a conta justa do dólar no longo prazo”, disse.
O fundador da XP acrescentou que a volatilidade do cenário interno também afeta o empresariado nacional, que tende a investir e contratar menos em períodos de incerteza.
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