Justiça revoga prisão preventiva e manda soltar MC Ryan SP

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Justiça revoga prisão preventiva e manda soltar MC Ryan SP

A Justiça Federal determinou, na tarde desta terça-feira (13), a revogação da prisão preventiva de MC Ryan SP e a consequente soltura do funkeiro. O TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) estendeu ao artista o habeas corpus concedido ao empresário da Love Funk Henrique Alexandre Barros Viana, o “Rato”, nessa segunda-feira (11).

De acordo com o tribunal, a liberdade de MC Ryan deverá ser cumprida mediante a imposição das seguintes medidas cautelares:

  • Comparecimento a todos os atos do processo;
  • Não se ausentar da cidade de residência por mais de 5 (cinco) dias sem autorização do juízo;
  • Comparecer mensalmente em juízo para comprovar suas atividades; e,
  • Proibição de se ausentar do país sem autorização do juízo, com entrega do passaporte, se houver.

A medida também foi imposta a Diogo Santos de Almeida. MC Ryan e Diogo estavam presos preventivamente no escopo da investigação da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro do crime no mundo do entretenimento. 

Operação Narco Fluxo

A investigação teve início a partir da análise de um backup na nuvem (iCloud) de Rodrigo Morgado, apontado como o contador do esquema, cujos dados foram obtidos na investigação anterior, a Operação Narco Bet.

Para mascarar a origem ilícita dos recursos e enganar os órgãos de fiscalização, a organização utilizava um mecanismo batizado de escudo de conformidade, em que artistas e influenciadores digitais usavam sua visibilidade pública e engajamento na internet para naturalizar transações milionárias.

A lavagem do capital operava em três eixos principais:

Pulverização: Inserção de dinheiro sem lastro econômico por meio da venda de ingressos para shows, produtos e ativos digitais.
Dissimulação: Uso intensivo de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie e múltiplas transferências fracionadas para dificultar o rastreamento financeiro.
Interposição de terceiros: O chamado “aluguel de CPFs”, com o uso de familiares, laranjas e empresas de fachada para esconder quem eram os reais donos dos valores.

A investigação identificou um fluxo financeiro de R$ 1,6 bilhão movimentado pelo grupo em menos de dois anos, valor que teve seu sequestro e bloqueio determinado pela Justiça. As estimativas da PF apontam que a organização pode ter movimentado até R$260 bilhões.

A ação contou com mais de 200 policiais federais cumprindo 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária em nove estados e no Distrito Federal.

Foram apreendidos R$ 20 milhões referentes a cerca de 55 veículos de luxo (incluindo modelos Porsche, BMW, Amarok e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren), além de armas, R$ 300 mil e US$ 7,3 mil em espécie, 56 joias e relógios Rolex, e o bloqueio de saldo em corretoras de criptomoedas.

Entre os presos estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, o casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão, além do dono da página Choquei Raphael Sousa Oliveira.