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Desenrola Brasil e o mapa do nome sujo: Norte Lidera endividamento e Acre registra recorde histórico

Por REDAÇÃO 04/05/2026 15:27

​ Enquanto o Brasil tenta equilibrar as contas em um cenário de juros reais elevados, a Região Norte consolida-se como a área onde o orçamento doméstico está mais pressionado. Segundo dados recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) e levantamentos da Serasa referentes ao primeiro quadrimestre de 2026, o Norte detém os índices mais críticos de comprometimento de renda, com o Acre figurando em posição de destaque negativo no ranking nacional.

​O endividamento das famílias brasileiras renovou seu patamar histórico em março de 2026, atingindo a marca de 80,4%. Embora o governo federal tenha anunciado medidas como o “Novo Desenrola Brasil” para tentar aliviar o bolso do cidadão com juros de 1,99% ao mês, a realidade nas pontas do país é heterogênea.

​A região Norte lidera o mapa do “nome sujo” e das contas a vencer. Entre os dez estados com maior percentual de inadimplentes no país, cinco estão no Norte: Amazonas, Roraima, Amapá, Acre e Tocantins.
​A combinação de um custo de vida elevado (impulsionado pelos preços de logística e energia) e uma renda média mais baixa em comparação ao Sudeste cria uma “tempestade perfeita” para o crédito.
​Foco no Acre: Entre a Sobrevivência e o Cartão de Crédito
​No Acre, a situação atingiu níveis alarmantes no início de 2026. Em janeiro, o estado registrou que 81,2% das famílias estavam endividadas, totalizando mais de 107 mil lares com compromissos financeiros a vencer.
​Inadimplência Real: Das famílias endividadas no estado, cerca de 15.392 declararam abertamente não ter condições de pagar suas dívidas no curto prazo.

​Perfil da Dívida

O cartão de crédito continua sendo o principal vilão, presente em mais de 85% dos casos de endividamento acreano, seguido pelos carnês de lojas e pelo crédito pessoal.

​Comprometimento de Renda

Em média, as famílias do Acre comprometem 31,7% de sua renda mensal apenas com o pagamento de parcelas e juros, flertando perigosamente com o limite de segurança financeira recomendado por economistas (33%).

​O Contraste em Rio Branco

​A capital, Rio Branco, concentra a maior parte desse volume. De acordo com dados da Fecomércio-AC, mais de 60% das famílias da capital possuem alguma restrição ou dívida em atraso. O cenário só não é mais grave devido a medidas sazonais: em março de 2026, houve um recuo pontual de 0,4% no endividamento local, atribuído pela gestão estadual à regularidade do pagamento do funcionalismo público e convocações de concursos, que injetaram liquidez no mercado local.
​”A regularidade e a previsibilidade dos salários contribuem para o planejamento, mas o custo dos alimentos e dos combustíveis no Acre ainda empurra o consumidor para o cartão de crédito como extensão do salário”, afirma a análise técnica da Fecomércio

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