Início / Versão completa
geral

ONU pede liberdade de navegação no Estreito de Ormuz em meio a restrições

Por CNN 18/05/2026 21:40 Atualizado em 18/05/2026 21:40

A ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou nesta segunda-feira (18) que as restrições à circulação de mercadorias pelo Estreito de Ormuz podem ter sérias consequências globais, incluindo inflação, desaceleração do crescimento econômico e uma futura crise alimentar.

Questionado se o bloqueio de fertilizantes e bens humanitários poderia configurar um crime contra a humanidade, o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, disse que a situação era “um enorme problema para o mundo”.

Ele afirmou que a escassez de combustível e fertilizantes afetaria particularmente os países menos capazes de suportar choques econômicos.

Leia mais

Haq disse que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, deseja a restauração da liberdade de navegação no Estreito, em conformidade com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e outras leis pertinentes.

Questionado sobre a suposta criação, pelo Irã, de uma Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para supervisionar o acesso pela hidrovia, Haq disse que a ONU não quer nenhuma entidade que restrinja o acesso.

“Queremos garantir que não haja restrições à liberdade de navegação”, disse Haq.

Entenda a situação no Estreito de Ormuz

O Irã informou nesta segunda-feira (18) um novo órgão para administrar o Estreito de Ormuz, chamado de Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA na sigla em inglês), que tem como objetivo fazer a “gestão do tráfego de passagem pelo Estreito de Ormuz”, segundo uma publicação na rede social X.

” A navegação no perímetro introduzido do Estreito de Ormuz, cujos limites foram previamente determinados pelas forças armadas e autoridades da República Islâmica do Irã, está condicionada à coordenação completa com essas instituições, e a passagem sem permissão será considerada ilegal”, diz a publicação.

Atualmente, o Irã permite que embarcações não ligadas a Estados que atacam o país possam atravessar a via em coordenação com Teerã.

A mídia estatal iraniana informou na sexta-feira que mais de 31 milhões de iranianos se inscreveram em uma campanha para demonstrar a prontidão pública para defender o país em caso de conflito, enquanto o país iniciava cursos de armamento para voluntários pró-governo.

Os EUA também impõem o próprio bloqueio aos portos iranianos e afirmaram que, até domingo (17), haviam redirecionado 81 navios comerciais e imobilizado quatro embarcações para garantir o cumprimento do bloqueio.

Mais de cinco semanas após o cessar-fogo no conflito com os Estados Unidos entrar em vigor, as exigências dos dois países permanecem muito distantes, apesar dos esforços diplomáticos para pôr fim à guerra e reabrir o estreito, a rota marítima mais importante do mundo para o transporte de petróleo e gás.

Desde o cessar-fogo, forças americanas e iranianas têm se envolvido em múltiplos confrontos diretos dentro e ao redor do estreito.

A interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, causada pelo Irã, causou a maior crise de abastecimento de petróleo da história, elevando os preços.

No sábado (16) o chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, informou que Teerã preparou um mecanismo para gerenciar o tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz ao longo de uma rota designada, que será divulgado em breve.

Azizi acrescentou que apenas embarcações comerciais e entidades que cooperam com o Irã se beneficiarão do acordo. Segundo ele, taxas serão cobradas por serviços especializados prestados no âmbito do mecanismo.

Tentativa de acordo

As negociações, mediadas pelo Paquistão, estão suspensas desde que o Irã e os EUA rejeitaram as propostas mais recentes um do outro.

Nesta segunda-feira (18), Teerã enviou uma proposta revisada.

“Mensagens contraditórias” nos deixaram receosos quanto às reais intenções dos americanos nas negociações, declarou o chanceler iraniano Abbas Araqchi, acrescentando que o processo de mediação pelo Paquistão não fracassou, mas está em “dificuldade”.

O Irã está tentando manter o cessar-fogo para dar uma chance à diplomacia, mas também está preparado para retomar os combates, continuou ele.

Os problemas que estão atrasando as negociações entre os dois lados incluem as ambições nucleares do Irão e o seu controlo sobre o Estreito de Ormuz.

A declaração de Araqchi na sexta-feira (15) ocorreu horas depois do presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que sua paciência com o Irã estava se esgotando e ter concordado, em conversas com o presidente chinês Xi Jinping, que Teerã deveria reabrir o estreito.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

Conteúdo interativo removido automaticamente para manter a página AMP válida.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.