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UFJF divulga carta de retratação sobre cadáveres de hospital psiquiátrico

Por CNN 18/05/2026 21:40 Atualizado em 18/05/2026 21:40

A UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) publicou uma carta de desculpas por fazer uso dos cadáveres do Hospital Colônia de Barbacena nesta segunda-feira (18).

Registros internos do ICB (Instituto de Ciências Biológicas) da Universidade mostram que a Universidade recebeu 169 corpos do Hospital entre os anos de 1962 e 1971, para utilização em atividades didáticas em aulas de anatomia em cursos da área da saúde.

Nesta segunda-feira (18), durante o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, a instituição de ensino pediu desculpas pela prática em uma carta oficial, onde reconhecem que deterioraram os corpos e a dignidade dos falecidos no Hospital de Barbacena.

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O livro Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex, conta que 1.853 corpos de internos do local foram comercializados para instituições de ensino.

Além disso, a UFJF afirmou que vai adotar medidas para reparação simbólica do ocorrido e de acordo com as recomendações da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão da Procuradoria da República em Minas Gerais.

Também se comprometeram a criar novas e fortalecer as já existentes iniciativas de conscientização, como campanhas de conscientização sobre direitos humanos e saúde mental e a criação de um memorial. Além disso, também buscarão apoio para sistematização de pesquisas documentais sobre os registros entre eles e o Hospital Colônia de Barbacena.

Evidências históricas apontam que o Hospital Colônia de Barbacena foi uma das instituições psiquiátricas marcadas por violações de direitos humanos.

Consta na carta que mais de 60 mil pessoas tenham morrido no local, muitos classificados como indigentes.

A Universidade Federal de Juiz de Fora reafirmou seu compromisso com os avanços das políticas de saúde mental no Brasil e reconheceu as conquistas da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial.

Segundo a universidade, desde 2010, o Departamento de Anatomia do ICB iniciou a implementação do Programa de Doação Voluntária de Corpos – Sempre Vivo.

Desde então, todos os corpos recebidos pela instituição são exclusivamente de doações voluntárias, além de ações de conscientização e sensibilização à sociedade e a todos alunos ingressantes dos cursos da saúde sobre a importância da doação voluntária de corpos em conformidade com as normas vigentes e com o respeito à dignidade humana previsto em lei.

A UFJF reafirmou o compromisso com o avanço das políticas de saúde mental no Brasil, reconhecendo as conquistas históricas da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial.

A luta constitui uma trajetória construída por militantes, profissionais, pesquisadores, intelectuais e usuários, em defesa de serviços comunitários, abertos e orientados pelo respeito aos direitos e à dignidade de todas as pessoas.

É uma conquista que exige vigilância permanente, e evitar retrocessos e erros como o cometido, ainda que sob novas formas, é um compromisso coletivo.

A unidade ainda apontou a importância de assegurar que os direitos conquistados sejam acompanhados por uma assistência integral, interdisciplinar, tecnicamente qualificada e com cobertura adequada nos diferentes níveis de atenção.

 

*Sob supervisão de Thiago Félix

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