Os contratos futuros do trigo voltaram a fechar em baixa nesta sessão na Bolsa de Chicago. O vencimento para julho recuou 2,16% e encerrou o dia cotado a US$ 6,1050 por bushel.
A Granar apontou que o mercado foi pressionado pelo cancelamento de vendas da safra 2025/2026 dos Estados Unidos e pelo avanço da colheita do trigo de inverno no país, ainda concentrada nos estados do sul, mas que deve ganhar ritmo e avançar para importantes regiões produtoras nos próximos dias.
Além disso, o cenário geopolítico também contribuiu para a pressão baixista. O anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para interromper o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz reduziu parte das preocupações do mercado e manteve investidores posicionados na venda. Apesar disso, analistas internacionais seguem avaliando a trégua como frágil diante da instabilidade envolvendo os dois países.
As condições climáticas favoráveis para a safra na Rússia elevaram as expectativas de produção do país para a temporada 2026/2027, com consultorias privadas já estimando uma colheita próxima de 90 milhões de toneladas.
Andrey Sizov, CEO da consultoria SovEcon, destacou que as condições para o plantio de primavera melhoraram significativamente na Sibéria, principal região produtora da variedade. Segundo ele, os atrasos no plantio praticamente deixaram de ser uma preocupação para o mercado.
SOJA
Os preços futuros da soja terminaram a sessão desta sexta-feira (29) em baixa na Bolsa de Chicago. O vencimento para entrega em julho registrou queda 0,65% e cotado em US$ 11,8675 por bushel.
Os dados de vendas para exportação foram divulgados nesta manhã, com um total de 299.899 mil toneladas de soja da safra antiga vendidas na semana de 21 de maio, ficando entre as estimativas de 150.000 e 400.000 toneladas.
De acordo com a Granar, esse volume representa uma queda em relação à semana anterior, mas ainda é mais que o dobro da mesma semana do ano passado.
As vendas da nova safra totalizaram 137.708 toneladas, ficando entre as expectativas de 0 a 300.000 toneladas. Esse volume também apresentou queda em relação à semana passada, mas ainda é o segundo maior da safra.
Já para os derivados as vendas de farelo de soja foram contabilizadas em 303.974 mil toneladas para 2025/26 e 137.242 toneladas para 2026/27, situando-se entre as estimativas de 250.000 e 800.000 toneladas.
As vendas de óleo de soja atingiram 3.374 toneladas, dentro da expectativa de redução líquida de 5.000 a vendas líquidas de 16.000 toneladas.
Milho
Os contratos futuros do milho encerraram a sessão desta sexta-feira em alta na Bolsa de Chicago. O vencimento para julho avançou 0,72% e fechou cotado a US$ 4,5575 por bushel.
Apesar da valorização no dia, o mercado acumulou perdas ao longo da semana, pressionado pela queda nos preços do petróleo após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para ampliar o cessar-fogo no Oriente Médio e garantir a reabertura do Estreito de Ormuz.
Outro fator de pressão veio da falta de avanço, no Senado americano, da proposta que permitiria a comercialização do combustível E-15 durante todo o ano nos Estados Unidos, medida considerada importante para ampliar a demanda por etanol e, consequentemente, pelo milho.
Além disso, as condições climáticas favoráveis ao andamento final do plantio seguem contribuindo para o viés baixista do mercado. No entanto, analistas monitoram o clima no Centro-Oeste americano e nas Grandes Planícies Centrais, onde o déficit hídrico pode se intensificar nas próximas semanas.
No estado de Nebraska, por exemplo, quase 90% do território já enfrenta algum nível de seca, cenário que pode trazer preocupação ao mercado e limitar perdas no curto prazo.