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Manchete

Conexão Luxo e Pó: investigação da PF mira vereador de Rio Branco financiado pelo Narcotráfico

Por REDAÇÃO 03/06/2026 10:01

Uma bomba de proporções continentais está prestes a abalar os alicerces políticos e empresariais da capital acreana. Em complementação a uma reportagem exclusiva publicada pelo jornalista Assem Neto, no portal O Seringal, na manhã desta quarta-feira, a Polícia Federal (PF) coloca sob a lupa da Justiça um vereador de Rio Branco, figurando formalmente em uma lista de investigados sob a suspeita de ter sido diretamente beneficiado, em sua campanha eleitoral, com “dinheiro sujo” oriundo do narcotráfico. Outros nomes recheiam um calhamaço com cerca de 200 páginas, resultado de investigações ainda em curso.

De acordo com as apurações, os recursos ilícitos entravam na engrenagem política camuflados por meio da comercialização de veículos de luxo no Acre. O esquema funciona como uma via de mão dupla da criminalidade: uma quadrilha altamente organizada envia carregamentos de drogas para fora do estado e, em contrapartida, recebe automóveis modernos, dotados de alta tecnologia e com considerável valor venal, como forma de pagamento. Esses carros eram posteriormente internalizados no mercado local para lavar o dinheiro do crime.

O alcance da organização criminosa pretendia ir ainda mais longe. Em conversa com uma fonte da Polícia Federal, o jornalista Assem Neto confirmou que o grupo já planejava lançar uma candidatura ao cargo de deputado estadual, provavelmente utilizando o mesmo modus operandi financeiro alimentado pelo tráfico. E a pretendente ao cargo eletivo tem laços familiares de primeiro grau com o parlamentar citado.

A gravidade da situação fez com que a direção da PF desse atenção máxima ao combate dessa modalidade de crime no extremo norte do país. Em uma ação estratégica, a instituição enviou ao Acre um grupo de cinco especialistas em inteligência automotiva e financeira. O objetivo foi alcançado: ministrar um treinamento rigoroso a agentes de segurança locais para identificar o rastreio desses automóveis.

O foco central da investigação, neste momento, é identificar a chamada “primeira praça” dos veículos — ou seja, o emplacamento inicial e o histórico de transferências — até a chegada deles em solo acreano.

O silêncio da noite e a explosão das garagens

As autoridades já finalizaram um relatório robusto sobre o esquema que está sendo remetido ao Poder Judiciário com pedido de prisões.

O documento cita nominalmente ao menos quatro empresários como os principais operadores do esquema de lavagem de dinheiro, sendo que alguns deles possuíam faz pouco tempo em como atividade principal empreendimentos na vida noturna da capital.

Como consequência visual desse fluxo financeiro ilegal ao longo do tempo, Rio Branco testemunhou o surgimento repentino de várias garagens de veículos novos e seminovos. Muitas delas estão situadas em locais de extrema visibilidade, como anexos de postos de combustíveis, ostentando um poder econômico estrondoso que há muito tempo chama a atenção da população e das autoridades.

O cenário levanta um questionamento inevitável e incômodo: como explicar que veículos zero quilômetro, ou com quilometragem baixíssima, estejam sendo ofertados de forma massiva em empresas que recém-abriram suas portas para a revenda de automóveis?

O outro lado do comércio

Apesar do forte indício de lavagem que cerca as novas empresas investigadas, fontes ligadas à investigação fazem uma ressalva importante: os proprietários de garagens e revendedoras locais não estão, necessariamente, envolvidos no crime. Isso porque a dinâmica do mercado de automóveis na região baseia-se na consignação, fazendo com que a maioria dos carros deixados nesses pátios pertença a terceiros, sem que o comerciante saiba a real origem ou o histórico do proprietário do bem.

A Polícia Federal segue cruzando os dados fiscais e bancários. A expectativa é que, com o relatório finalizado, novas fases ostensivas venham a público para desmantelar o braço político e empresarial que transformou o luxo sobre rodas no principal disfarce do tráfico de drogas no Acre.

Operações policiais devem ocorrer com a devida autorização judicial.

É questão de tempo.

Nota da redação

Embora citado na investigação da PF, as identidades do vereador e de sua familiar pretendente a deputada estadual não serão mencionados, considerando que ainda serão chamados a se explicar. Documentos e outras provas que cercam a apuração policial também ficaram sob a guarda da reportagem, para divulgação em momentos oportunos.

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