Conhecido como o “juiz da ponte”, o magistrado aposentado Edinei Muniz protagonizou um dos episódios mais dramáticos da política acreana ao despencar junto com os escombros da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira. A tragédia, que quase lhe custou a vida, colocou seu nome no centro das atenções. Mas a exposição pública não se converteu em capital eleitoral.
Candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, Muniz recebeu, segundo o resultado final do TSE, apenas 219 votos. Uma votação distante da necessária para conquistar uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa do Acre.
O episódio da ponte, o resgate e a internação em unidade de terapia intensiva marcaram sua trajetória pública. A gravidade do acidente, entretanto, merece ser tratada separadamente das controvérsias políticas envolvendo o ex-magistrado. Mas nos faz refletir sobre a sanha louca de um homem supostamente letrado que se submeteu à bajulação e quase perdeu a vida em nome de uma ideologia cega.
Muniz também se tornou conhecido pelo estilo contundente de suas manifestações políticas e pelos confrontos verbais com adversários. Críticos de sua atuação questionam os limites entre a liberdade de expressão, a crítica política e os ataques pessoais.
O resultado eleitoral oferece um contraste expressivo: a notoriedade conquistada em circunstâncias dramáticas não foi suficiente para assegurar apoio nas urnas.
Por que?
A experiência de Edinei Muniz também suscita uma reflexão que ultrapassa as fronteiras do Acre e alcança o debate político nacional, inclusive o ambiente de polarização em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro: a repercussão de ataques e confrontos nas redes sociais não equivale, necessariamente, à conquista de votos.
No fim, os 319 votos representam a dimensão objetiva do desempenho eleitoral de Muniz. As razões dessa votação exigem análise mais ampla, mas o caso ilustra a distância que pode existir entre visibilidade pública, engajamento digital e representatividade política.
Em tempo: sequer o doutor agradeceu pela ínfima votação, talvez porque, como bolsonarista radical que é, a gratidão não lhe caiba.

