Na crônica desta semana, intitulada “Aprender a ler sem repetir o barulho dos outros”, o delegado Emylson Farias transforma uma lembrança singela dos tempos da cartilha Caminho Suave numa profunda reflexão sobre educação, alienação e cidadania. Adepto do que chama hoje “decoreba”, ainda menino, diante da dificuldade de ler, fingia que dominava a lição. Hoje, reconhece naquele gesto infantil uma metáfora inquietante da sociedade contemporânea: adultos que continuam repetindo o pensamento alheio, sem compreender o significado daquilo que defendem. Sua reflexão ganha especial relevância às vésperas de uma decisão eleitoral. Afinal, não basta saber identificar palavras numa cédula ou numa tela: é preciso compreender o peso das escolhas que podem determinar o futuro de uma nação.
Uma educação que ensina a repetir, mas não estimula a questionar, pode formar indivíduos alfabetizados, porém incapazes de interpretar criticamente a realidade. E quem não desenvolve autonomia intelectual torna-se mais vulnerável à manipulação, ao fanatismo, à desinformação e às certezas impostas por terceiros.
Emylson também denuncia a falsa segurança de quem se declara indiferente à política, ignorando que as decisões públicas alcançam o pão na mesa, a escola, a saúde, o trabalho e a dignidade de cada família.
A crônica é, sobretudo, uma defesa vigorosa da educação libertadora, aquela que ensina o cidadão a duvidar, investigar, dialogar e construir suas próprias convicções.
Porque a maior tragédia de uma sociedade não é a existência de quem ainda não aprendeu a ler. É a multidão dos que aprenderam as letras, mas nunca foram estimulados a pensar com a própria cabeça.
Como sintetiza o cronista: “A verdadeira educação não serve para nos ensinar a resignar, mas para nos devolver a capacidade de transformar.”
Boa leitura
Emylson Farias escreve: aprender a ler sem repetir o barulho dos outros

