O mercado futuro da soja encerrou a sessão desta sexta-feira (6) em território positivo na Bolsa de Chicago, após passar grande parte do pregão sob pressão. O contrato para entrega em janeiro registrou valorização de 0,46% e fechou cotado a US$ 11,93 por bushel. Apesar da reação no último dia de negociações, a oleaginosa completou a quarta semana consecutiva de perdas.
Segundo análise da Granar, o movimento positivo foi resultado de uma recuperação técnica, com investidores aproveitando oportunidades de compra após as recentes desvalorizações. Ainda assim, o balanço semanal permaneceu negativo. Desde o início da sequência de quedas, os contratos de janeiro e março acumularam perdas de 8,79% e 9,06%, respectivamente.
Em valores por tonelada, o contrato de janeiro passou de US$ 480,88 para US$ 438,63, enquanto o vencimento de março recuou de US$ 484,56 para US$ 440,65.
O desempenho dos derivados da soja também foi negativo ao longo da semana. O óleo com vencimento em dezembro acumulou desvalorização de 5,52%, passando de US$ 1.452,82 para US$ 1.372,57 por tonelada. Já o farelo, também para entrega em dezembro, registrou queda de 1,67%, de US$ 357,81 para US$ 351,85 por tonelada.
De acordo com a Granar, o mercado continua pressionado pela entrada da nova safra norte-americana e pela possibilidade de revisão para cima das estimativas de produção dos Estados Unidos. Operadores avaliam que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) poderá elevar a previsão para a safra 2026/2027 no relatório mensal de oferta e demanda, previsto para terça-feira (10).
Milho
O avanço da colheita norte-americana continua influenciando o comportamento dos preços do milho no mercado internacional. O contrato futuro para entrega em dezembro encerrou a sessão na Bolsa de Chicago com valorização de 0,34%, cotado a US$ 4,41 por bushel. Apesar da recuperação diária, a commodity completou a sexta semana consecutiva de desvalorizações.
Segundo análise da Granar, ao longo desse período, os contratos de dezembro e março acumularam perdas de 16,42% e 16,04%, respectivamente. Em valores por tonelada, o primeiro vencimento passou de US$ 207,96 para US$ 173,81, enquanto o contrato de março caiu de US$ 213,47 para US$ 179,22.
A pressão sobre as cotações está relacionada à entrada no mercado da segunda maior safra de milho já registrada nos Estados Unidos. O avanço dos trabalhos de campo também deve ser favorecido pela previsão de tempo seco nas principais regiões produtoras, permitindo a continuidade da colheita e ampliando a disponibilidade do cereal.
Outro fator acompanhado pelos operadores é a valorização do dólar em relação ao euro, movimento que reduz a competitividade do milho norte-americano nas negociações com compradores da União Europeia e pode limitar as oportunidades de exportação dos Estados Unidos.
No cenário internacional, as atenções também se voltam para as estimativas de exportação da Ucrânia que serão divulgadas pelo USDA na próxima terça-feira (10). O país é um dos principais fornecedores de milho para a União Europeia.
A expectativa ganhou relevância após o adido agrícola do USDA na Ucrânia projetar as exportações do país em 10,2 milhões de toneladas, volume bastante inferior aos 22 milhões de toneladas estimados pela agência em seu relatório de outubro.
Para a Granar, embora seja pouco provável uma revisão dessa magnitude em apenas um relatório, o USDA deverá ajustar suas projeções diante das dificuldades logísticas enfrentadas pelos exportadores ucranianos. Os ataques russos à infraestrutura portuária mantêm restrições aos embarques pelo Mar Negro, criando obstáculos para o escoamento da produção.
Trigo
O mercado futuro do trigo voltou a registrar desvalorização nas bolsas americanas, ampliando uma sequência negativa que já dura dez semanas consecutivas. Na Bolsa de Chicago, o contrato com vencimento em dezembro caiu 1,34% e encerrou o pregão cotado a US$ 5,91 por bushel.
De acordo com análise da Granar, a sequência de dez semanas de perdas é inédita na série histórica das estatísticas de grãos dos Estados Unidos.
Segundo a consultoria, após registrarem ganhos moderados na sessão anterior, os fundos de investimento retomaram a posição de venda, contribuindo para a pressão sobre as cotações.
Os investidores também acompanham as negociações previstas para terça-feira (10) e quarta-feira (11), em Abu Dhabi, entre delegações dos Estados Unidos, Rússia e Ucrânia. O encontro busca construir um consenso para interromper as hostilidades na região do Mar Negro, embora as divergências entre os países envolvidos representem um obstáculo para um possível acordo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por andressasimao.

