O número de empresas brasileiras inadimplentes chegou a 9,3 milhões em agosto de 2026, novo recorde da série histórica mensal da Serasa Experian. O total representa uma alta de 14,3% em relação ao mesmo mês de 2025.
Ao todo, foram registradas 68,2 milhões de dívidas, que somavam R$ 244,4 bilhões. Em média, cada empresa acumulava 7,4 contas negativadas, com dívida média de R$ 26.355,13 por CNPJ e valor médio de R$ 3.583,96 por débito.
Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior número de empresas inadimplentes. São Paulo liderou o ranking, com 3.173.156 companhias negativadas em agosto de 2026.
Na sequência, apareceram Minas Gerais, com 927.374 empresas, e Rio de Janeiro, com 879.915. Paraná (613.012) e Rio Grande do Sul (539.319) completaram a lista dos cinco estados com os maiores volumes.
As micro e pequenas empresas responderam pela maior parcela da inadimplência empresarial no país, com 8,8 milhões de CNPJs. Juntas, elas concentraram 61,4 milhões de dívidas, que somavam R$ 211 bilhões.
Nesse grupo, cada empresa acumulou, em média, 7 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.902,98 e valor médio de R$ 3.435,34 por débito.
Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o desafio para as micro e pequenas empresas vai além do custo do crédito.
“São negócios que possuem menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de menor crescimento. […] Por isso, a gestão financeira e o planejamento ganham ainda mais importância neste momento”, explica.
O setor de Serviços concentrou 56% das empresas inadimplentes. O Comércio apareceu em seguida, com 32%, à frente da Indústria (8%) e do setor Primário (0,9%). Outros segmentos responderam por 3,1% do total.
Para Abdelmalack, a sequência de recordes está relacionada, principalmente, ao patamar elevado dos juros.
Embora a taxa Selic tenha recuado de 15% no início do ano para 14% em agosto e 13,75% atualmente, os cortes ainda não foram suficientes para alterar a dinâmica financeira das empresas.
A economista também destaca que, mesmo com os juros elevados, a demanda por crédito cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses.
No mesmo período, as concessões de crédito para capital de giro de curto prazo avançaram 113,9%, sinalizando que as empresas têm recorrido a esses recursos para sustentar a liquidez.
“Em um contexto de inadimplência recorde, esse movimento parece estar mais associado à necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios”, afirma.
Em relação à origem das dívidas negativadas, o setor de Serviços concentrou a maior parcela dos registros, com 31,7% do total. Bancos e cartões apareceram em segundo lugar, com 19,7%, seguidos pelas cooperativas, com 8,5%.
As categorias de Utilities, que incluem serviços essenciais como energia e água, responderam por 6,7% dos registros, enquanto Telefonia representou 6,2%.
“Mais de três quartos dos registros de dívidas negativadas estão relacionados a setores não financeiros. O dado não representa a participação desses setores no valor total das dívidas, mas mostra que as pendências das empresas estão distribuídas entre diferentes tipos de credores.”
“Em um ambiente de menor dinamismo econômico, administrar múltiplos compromissos e preservar o fluxo de caixa torna-se ainda mais desafiador, especialmente para empresas que já acumulam diferentes pendências”, conclui a economista-chefe da Serasa Experian.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por manuelasilva.

