Obsessão pelo engajamento, pela notoriedade a qualquer preço, pela ostentação e pela corrida desenfreada por riqueza digital. Tem sido assim no meio dos influenciadores e sua sanha para arrebanham multidões, transformar curtidas em poder e, não raramente, vender a ilusão de que existir é ser visto. Mais inquietante é a legião dos que renunciam à própria identidade para seguir pensamentos alheios, como se discordar fosse pecado e pensar por conta própria, um defeito.
Mas há um paradoxo extraordinário nessa sociedade refém dos algoritmos. O jornalista acreano Ayres Rocha, falecido nesta semana, conquistou justamente aquilo que tantos perseguem desesperadamente: reconhecimento, respeito, admiração e uma popularidade que atravessou gerações. Com um detalhe que merece registros eternos: sem ostentação, sem submissão aos modismos digitais e sem precisar implorar por aplausos, fez da competência, da autenticidade e da dignidade profissional sua maior marca.
É sobre essa contradição entre a fama fabricada e a grandeza verdadeira que o delegado de Polícia Emylson Farias constrói sua crônica desta semana (leia abaixo ou na capa de oseringal). Com sensibilidade, ironia e profundidade, ele questiona a escravidão das curtidas e presta uma emocionante homenagem a um homem que não precisou de milhões de seguidores para conquistar o coração de milhares de acreanos.
Uma reflexão necessária sobre a diferença entre querer parecer importante e realmente deixar um legado.

