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Sem chuvas, hidrelétricas podem ter vazão reduzida para economizar água

Por CNN 16/01/2026 03:26

Diante do baixo volume de chuvas nas últimas semanas, o governo federal já avalia reduzir a vazão de grandes usinas hidrelétricas na bacia do rio Paraná como uma forma de poupar água nos reservatórios da região Sudeste.

Segundo relatos feitos à CNN Brasil por autoridades do setor elétrico, tudo vai depender da hidrologia nas próximas três a quatro semanas, até o Carnaval. Essas fontes afirmam que a situação atual requer cuidado, mas ainda não tem a gravidade de outros anos de grande escassez hídrica, como 2014 e 2021.

Os cenários levados ao Ministério de Minas e Energia apontam que, no fim de janeiro, os reservatórios das hidrelétricas no subsistema Sudeste/Centro-Oeste — considerado a principal caixa d’água do país — podem ficar entre 41,7% (projeção pessimista) e 48,5% (otimista) do volume máximo de armazenamento.

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Para efeito de comparação: esses reservatórios terminaram janeiro do ano passado com 62% de sua capacidade.

Reduzir a vazão nas usinas do rio Paraná significa “fechar o ralo” (parcialmente) de represas que se localizam no fim de uma sequência de aproveitamentos energéticos.

Aqueles a montante (rio acima) ficam com mais capacidade de reter água para enfrentar o período de seca em meados do ano. A temporada de chuvas costuma acabar entre abril e maio.

Paralelamente, a estratégia envolve diminuir a geração de energia nas primeiras hidrelétricas dessa “fila” de usinas, como aquelas localizadas na bacia do rio Grande, em Minas Gerais.

De acordo com fontes, a hidrelétrica de Porto Primavera (SP) está hoje com vazão de saída em 3.900 metros cúbicos por segundo, enquanto a usina de Jupiá (na divisa de São Paulo com Mato Grosso de Sul) tem liberado 3.300 m³/s.

Na crise hídrica de 2021, por exemplo, as vazões chegaram a cair para 2.900 m³/s em Porto Primavera e para 2.300 m³/s em Jupiá. A avaliação de autoridades do setor é que as medidas foram cruciais para evitar um racionamento de energia elétrica naquele ano.

Essa estratégia, no entanto, embute efeitos colaterais. Um impacto é ambiental. A piracema (fluxo migratório de peixes para reprodução) dura até meados de março, impedindo que as vazões sejam diminuídas antes disso.

Outro reflexo é na logística. Em 2021, a hidrovia Tietê-Paraná ficou seriamente comprometida por causa da estiagem, com a segurança do setor elétrico prevalecendo sobre os interesses da infraestrutura de transportes.

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