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Manchete

Caminhoneiros denunciam pedágio cobrado por facções em Feijó, onde o prefeito também é delegado

Por REDAÇÃO 20/04/2026 12:10

Caminhoneiros que transitam pelo município de Feijó, no Acre, relatam estar sendo vítimas de um esquema de extorsão. De acordo com relatos, grupos criminosos instalaram barricadas em vias públicas, exigindo pagamentos ilegais para permitir a passagem de veículos que transportam mercadorias em direção ao município de Envira, no Amazonas.

As denúncias apontam para a criação de bloqueios de madeira em uma via municipal, que funciona como ponto estratégico para o escoamento de cargas. A liberação dos caminhões é condicionada ao pagamento de taxas, que variam entre R$ 10,00 e R$ 30,00.

​O caso ganha contornos de complexidade devido ao perfil do atual prefeito de Feijó, Railson Correia, que é delegado da Polícia Civil. Ele foi eleito sob a promessa de uma gestão “linha dura” no combate ao crime organizado.

​No entanto, a prática nas ruas parece divergir do discurso de campanha. Motoristas afirmam que, mesmo após registrarem queixas na delegacia local, a situação persiste. Segundo relatos, ao ser confrontado pela guarnição policial em um episódio recente, um dos suspeitos, que reside próximo ao local do bloqueio, teria ludibriado as autoridades ao alegar que as barricadas serviriam apenas para reduzir a velocidade dos veículos e garantir a segurança de pedestres — justificativa contestada pelos caminhoneiros.

​Silêncio das Autoridades

​A redação buscou posicionamento oficial da Prefeitura de Feijó e das autoridades policiais locais, mas não obteve retorno até o momento desta publicação.

​Para os profissionais do transporte, a situação é insustentável. O áudio de um caminhoneiro enviado à redação resume a frustração da categoria: “É pedágio do crime em plena luz do dia. Como vamos trabalhar e manter o abastecimento de Envira sob essas condições?”

​A situação em Feijó levanta um questionamento crítico sobre a segurança pública municipal: enquanto a população espera por medidas efetivas de combate à criminalidade, o cenário relatado pelos trabalhadores aponta para um domínio territorial exercido por facções, desafiando a governabilidade e o livre trânsito nas vias públicas.

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